sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sócio torcedor avança no futebol brasileiro (minha opinião sobre o assunto)

O Futebol fica cada vez mais comercial e menos apaixonante.
Não concordo com que os times invistam na idéia do sócio torcedor. Tais times garantem um acréscimo em suas receitas de forma permanente sim , entretanto com isso cerceiam o acesso aos jogos a população mais simples que historicamente tem no futebol sua forma de lazer e que muitas vezes serve como terapia e estravasamento em relação as suas duras rotinas.
Exigir de um trabalhador que ele contribua com R$30,00, R$40,00 e até R$100,00 mensais, além do ingresso (mesmo que com desconto) para garatir seu acesso aos jogos é fazer com que o futebol, o esporte mais popular do Brasil seja a partir daí para poucos selecionados conforme seu poder aquisitivo. Se quisermos um esporte para elite este é o caminho certo.
Mas já temos o tênis ou hipismo para isso... e por hora.. é só.
Adriano Goulart
Leia o artigo original
Por Rogerio Jovaneli, especial para o Yahoo! Brasil

Três de dezembro de 2008, Internacional e Estudiantes pela Copa Sul-Americana. 1º de julho de 2009, Internacional e Corinthians pela Copa do Brasil. Duas decisões de campeonato envolvendo o Internacional. Ambas no estádio Beira-Rio. Uma com o time gaúcho campeão (Sul-Americana). Finais com o estádio cheio. Mais de 50 mil torcedores em cada um dos dois jogos. Maioria de torcedores colorados. E 100% deles sócios torcedores.
Bom ou ruim, essa é uma realidade que chegou para ficar no futebol brasileiro. Qual a tendência para o futuro? A resposta quem dá é Alexandre Silveira Limeira, diretor de Administração do Internacional, ligado ao “Sócio contribuinte Campeão do Mundo”, programa de sócios torcedores do clube: “Nós já temos 101 mil sócios. No futuro próximo, a tendência é ter todo ano pelo menos 10 jogos com lotação para sócios. Os outros torcedores, que não são sócios, terão dificuldade para assistir uma semifinal ou uma final de campeonato.”
Segundo Limeira, o objetivo não é valorizar o torcedor que contribua financeiramente com o clube. “Nossa idéia é dar preferência para quem ajuda o clube, seja quando tem jogo ou não, quando o time está com bons resultados ou não”, diz o diretor.
O participante do programa de sócio torcedores do Internacional tem todos os direitos e deveres estatutários de um sócio do clube, com a vantagem de ter preferência na compra de ingressos com desconto de 50% em todos os setores do estádio Beira-Rio.
A mensalidade custa R$ 22, sendo que ao inscrever-se o torcedor paga R$ 20 referente à carteirinha de sócio. A inscrição pode ser feita tanto no site oficial do Inter (www.internacional.com.br) como diretamente no estádio Beira-Rio.
“Para o Gre-Nal do próximo dia 25, já estamos vendendo ingressos para o sócio torcedor, com 50% de desconto, desde o mês de agosto. Ele pode exercer essa preferência e garantir o seu lugar. Já para o torcedor em geral [que não é sócio torcedor], a venda só começa 72 horas antes do jogo, conforme previsto no Estatuto do Torcedor. O sócio torcedor que não exercer a sua preferência até 72 horas antes da partida, continua com o direito ao benefício de 50% de desconto, mas perde a preferência de compra, desta forma concorre de igual para igual com o torcedor emgeral”, explica Limeira.

Sócios torcedores pelo mundo
No início de agosto, o site Futebol Finance (www.futebolfinance.com) publicou o ranking dos clubes com maior número de sócios no futebol mundial. E o Internacional, que naquela oportunidade atingia 100 mil associados (hoje já está em 101 mil) apareceu entre os "top 10", na sexta colocação, à frente do Sporting, de Portugal (96 mil), do “galáctico” Real Madrid (92 mil sócios), do argentino River Plate (82 mil) e do alemão Schalke 04, décimo, com 72 mil associados.
O clube com maior número de sócios no mundo é o português Benfica, com 171 mil, seguido por Barcelona, da Espanha (163 mil), Manchester United, da Inglaterra (151 mil), Bayern de Munique, da Alemanha (146 mil) e Porto, também de Portugal, quinto lugar com 115 mil sócios.

Sócio torcedor no Brasil
Segundo levantamento do Clube dos 13, realizado há dois meses, mais de 380 mil brasileiros já haviam aderido a pacotes de fidelização ao seu time do coração. Hoje, esse número já passa da casa dos 400 mil.
Além de proporcionar ao torcedor uma maior facilidade na aquisição de ingressos para os jogos, os programas de sócios torcedores contribuem para um aumento das receitas dos clubes.
Alexandre Alves de Mello, assessor do Quadro Social do Grêmio, segundo time do país em número de sócios (53 mil), diz que o clube abandonou a modalidade convencional de obter associados para ficar única e exclusivamente com a modalidade de sócios torcedores, cujas inscrições são recebidas no site do clube (www.gremio.net).
“Nosso quadro associativo atual é de 53 mil sócios, sendo 16.191 na categoria de sócio torcedor. Aliás, hoje nós só aceitamos novos associados nesse tipo de modalidade. Os outros dois que ainda temos, que é o Locatário de Cadeira e Sócio Patrimonial, são constituídos por associados mais antigos do clube e que têm acesso liberado ao estádio Olímpico, mediante mensalidade, não necessitando de aquisição de ingresso. Com o sócio torcedor, temos a chance de conseguir uma receita maior. Nossa meta é de incremento de no mínimo mil novos sócios torcedores por mês”, afirma.
No Grêmio, a mensalidade custa R$ 30, sendo necessário adquirir o cartão de acesso aos jogos por R$ 10. O desconto é de 50% nos jogos com mando de campo do time.
Além dos gaúchos, Corinthians e São Paulo também fazem sucesso com os seus programas de sócios torcedores. O clube do Parque São Jorge tem o chamado “Fiel Torcedor” (www.fieltorcedor.com.br), que dá ao torcedor prioridade na compra de ingressos. Os preços variam de R$ 15 a R$ 75 mensais, conforme o setor do estádio. Em média, o ingresso sai 40% mais barato.
No entanto, ao atingir o número de 50 mil cadastrados no mês passado, o clube decidiu suspender novas adesões ao programa, alegando que o presidente Andrés Sanchez, pensando na Libertadores do ano que vem, pretendia facilitar o acesso dos sócios para as partidas no Pacaembu, estádio cuja capacidade é inferior a 40 mil pessoas. "Aqueles que não se associarem, terão poucas chances de assistir aos jogos do clube na Libertadores”, afirmou o mandatário alvinegro.
Recentemente, o clube lançou uma campanha para a reabertura do programa. A venda de ingressos para a Libertadores deve começar em breve. Os mais baratos deverão custar R$ 50, sendo que torcedores cadastrados no programa Fiel Torcedor terão direito a descontos em torno de 40%. Nesse caso, teriam de comprar pacote com os três primeiros jogos do Corinthians em São Paulo.
Já o São Paulo, que atualmente soma 45 mil em seu programa “Sócio Torcedor” (www.sociotorcedor.com.br), possui quatro tipos de planos, cuja mensalidade varia de R$ 15 a R$ 25, com direito à compra de ingresso pela metade do preço para a arquibancada azul e inferior azul do estádio do Morumbi.
“A nossa meta é que até o final de 2010 o número chegue a 100 mil sócios”, afirma Guilherme Momensohn, coordenador do programa sócio torcedor do São Paulo.
“Para o ano que vem, estamos estruturando um calendário de promoções que cobrem três pilares diferentes: A ativação de sócios inadimplentes, a ampliação de benefícios para os sócios e a inscrição de novos sócios”, completa.
O Vasco, que lançou o seu programa “O Vasco é Meu” (www.ovascoemeu.com.br) há apenas cinco meses e o Cruzeiro, com o seu “Sócio do Futebol” (www.sociodofutebol.com.br), lançado há pouco mais de quatro meses, também mostram rápida ascensão em sua carteira de sócios torcedores. O clube do Rio de Janeiro já conta com 37.500 associados, enquanto o Cruzeiro possui 18 mil.
De acordo com a pesquisa do Clube dos 13, também contam com bom número de associados: Santos (25 mil), Atlético-PR (22,3 mil), Coritiba (18 mil), Vitória (6,7 mil), Goiás (5,3 mil), Fluminense (5 mil) e Guarani (4,1 mil).
Apesar de ser uma importante fonte de renda para o clube e ser um atrativo para o torcedor, nem todas as equipes brasileiras pretendem investir em projetos de sócios torcedores. É o caso do Atlético Mineiro que, procurado pela reportagem, diz não haver qualquer projeto para a implantação desse tipo de iniciativa. A justificativa do clube é que no ano que vem o Mineirão fechará para reformas, visando à Copa de 2014.
E você, caro leitor do Yahoo! Esportes, aprova a idéia dos clubes de darem, cada vez mais, preferência aos sócios torcedores na compra de ingressos? Dê a sua opinião. Participe!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Informações sobre TVs Online

Canais brasileiros

-Canais Brasil Sopcast - Via software sopcast
-Agro Canal - canal sobre agricultural
-Alfa TV - não informado
-All TV - Conteúdo variado, notícias, esportes, cultura. Exclusivamente via Internet. 24 horas -on-line.
-Amazon Sat - Conteúdos sobre amazônia
-Anime Cubo - A TV Anime Cubo exibe desenhos dos mais diversos tipos, como desenhos animados americanos, desenhos infantis diversos, desenhos antigos como Smurfs, ...
-Anime Dragon - Conteúdos sobre mangá e animações dragon ball
-Aperipê TV - TV pública, Afiliada TV CulturaARTV - TV de Araranguá, SC - ARTV Esporte Debate /
-ARTV Esporte / Cantos da Nossa Gente / Agenda Social. / Bastidores da Política / Viva Bem com Saúde / Revista no Ar /
-Atalaia Net - Televisão gospel gratuita, evangélica, cristã no Gospel
-AVE TV - assuntos espíritasBand - TV comercialBandnews - Tv de notíciasBloomberg Brasil - Tv
-Bloomberg Brasil têm como marca, as notícias nacionais e internacionais, com ênfase na área de economia e investimentos
-Boa Vontade TV - Tv da legião da boa vontade
-Boas Novas TV - Televisão gospel gratuita, evangélica, cristã no Gospel
-Box TV - seriadosBrasil TV - canal de notícias
-Canal 21 - afiliada da tv bandeirantes - itaperunaCanal Comunitário - Caxias do sul - tv
Canal de São Paulo - Desenhos. Corrida Maluca Turma do Pernalonga. Esporte.
-Canal do Boi - Canal do Boi é uma emissora de televisão brasileira cuja grande parte de sua programação é destinada à animais, como: bois, jumentos, cavalos, políticos
-Canal Rural - tv sobre agrculturaCanal Saúde - assuntos sobre saúde
-Canal Universitário de Vitoria - Educação - ensino
-Canção Nova - Canal católico
-CATVE - afiliada da rede culturaCentral TV -
-TV Central é um canal filiado à TV CNT, transmitindo os programas CNT, que conta, na sua grade de programação, com programas de humor, notícias, esportes,
-Cine Kids - programação infantilCineHome Pop - A
-TV Cine Home é uma tv de filmes 24 horas. Assista filmes gratis, de todos os tipos
-Click TV - CLICTV - boa Forma cultura comportamento culinaria cinema diversao ...A ClicTV é uma emissora de TV na internet criada com o objetivo de produzir um conteúdo exclusivo para os internautas e permitindo uma interação
-D+ TV - prorgramação diversaDesenhos Antigos - desenhos antigosDiscovery BR - pesquisa, estudos
DM TV - programação variada - distrito federalDTV - A
-DTV é uma empresa de Assessoria na área de comunicação. Além de trabalharmos com formação de mão-de-obra, trafegamos via cabo pela operadora RCA É Só Alegria TV - entretenimento
-Eclética TV (Globo) - Globo Brasil on Justin.tv. Acesse nosso site e assista GLOBO
-Embratel 21 - Canal com Programas Educativos e Culturais.
-Fabiweb TV - Na fabiweb tv você pode a qualquer hora do dia escolher um filme. Para sua -diversão estaremos sempre aumentando nossa cinemateca visando oferecer uma
-Filonet - Website destinado aos amantes da Filosofia e das Ciencias Humanas em geral
-FNTV - Entrevistas - esportes - notícias -(goías)
-Gospel Sat - canal evangelico
-Groove Channel - Música, Vanguarda, Tendência, Tecnologia, Alternatividade e Liberdade de Expressão. Comunidades, Fóruns
-IPTV USP - canal da USP
-Just TV - Site de televis�o ao vivo pela internet 24hs, onde o internauta poder� interagir via skype, msn, chat e mensagens com o apresetnador eo entrevistado
-Kinesis TV - diversidade - coqueiros PALoucadora - não informado
-Luz TV - Evangelico - Palavras e estudo sobre Louvor e Adoração com os Prs. Geisler e Mirian, líderes do Ministério Lugar Secreto da Luz para os Povos
-M1 Station - músicas - videoclipes
-MTV Brasil - músicas - videoclipes
-Natown TV - músicas - videoclipesNGT - variedades e entreternimento
-Nova Era TV - Tv espírita - variedades (SC)
-Nova TV - Entreternimento (PE - Olinda)
-Novo Canal - A TV Novo Canal é o terceiro canal do Sistema Canal do Boi de Comunicação para a transmissão de leilões virtuais e de recintos espalhados por todo o Brasil
-NTV - Canal 8 - afiliada da TV cultura
-Play TV - notícias sobre cinema

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Biblioteca sem livros - Será este o nosso futuro próximo? (Reflexão sobre artigo)

Pensar no desaparecimento do livro sendo substituido por novas tecnologias me parece muito pouco provável. Nossa experiência em "novidades" nos mostra que isso em geral não tem acontecido. Ex: O rádio não acabou por causa da televisão. A mesma também não sumiu quando veio a internet e por aí vai..Porém se olharmos atententamente, de fato tais veículos estão mudando em concepção, formato e conceito. Assim, é tarefa dos profissionais da área perceberem os novos rumos e suas tendências.
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As novas tecnologias por mais reluzentes que sejam, já vem amparadas numa lógica volátil. Mal são colocadas no mercado e já estão ultrapassadas. A maior parte dos suportes que vieram após da idéia do livro fizeram até "barulho" em termos de utilidade mas não conseguiram suportar nem sequer algumas décadas (fitas, cds, disquetes, dvds e por aí vai)... Já os livros estão mais que testados quanto ao aspecto de permanencia, durabilidade e relevância.
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Outra reflexão é o fato de que digitalizar um acervo embora seja muito interessante e sua proposta cheia de discursos democráticos e altruístas, ainda demanda de um investimento enorme, pessoal especializado extra e permanente e que a maioria das instituições não estão dispostas a pagar nesse momento. Por isso, sua viabilidade é questionável para um futuro próximo.
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Todas as vezes que leio essa perspectiva considerada por muitos quase que apocalípitca para nós bibliotecários, o primeiro pensamento que tenho é de como nós, profissionais da informação reagimos diante desse contexto. Será que o fato de pessoas substituírem as bibliotecas por novas tecnologias interfere na necessidade de um profissional para ajudar? Será que acaba com a mediação humana na busca por informação e conhecimento? Eu acredito que não.
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Acredito que o exercício de reflexão que devemos fazer é : Quais profissionais queremos ser daqui a 10 ou 20 anos? Isso nós devemos nos preocupar. O que nós faremos? Em qual ambito profissional e social nos colocaremos? Porque a biblioteca tal como ela é tradicionalmente de fato não mais existirá. Alías, a maior parte daquilo que conhecemos como espaços profissionais e suas relações também não. Contabilistas, Jornalistas, Administradores, Economistas e quase todas as profissões também tem essas preocupações. A mudança é natural e inevitável. As novas gerações inclusive dão sinais claros de que terão paradigmas e práticas profissionais bem diferentes daquilo que conhecemos agora.
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Nossos colegas de profissão que atuam não muito antes da década de 90 podem nos ajudar nisso. O que dizer dos catálogos físicos, dos ficharios de autor e assuntos...?E por aí vai. O fato de praticamente não existirem mais tais ferramentas não configurou que a presença de um bibliotecário responsável não fosse mais necessária. Por outro lado exigiu a necessidade constante por atualização e integração com outras áreas de conhecimento.
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No meu entender nosso futuro passa por aí. A biblioteca terá livros sim. Já nós bibliotecários, não poderemos ter como referência esse suporte. Como provocação brinco com o título do artigo: "Bibliotecários, sem livros - Será este o nosso futuro próximo?"
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Adriano Goulart - Bibliotecário
Blog: http://adrianoagr.blogspot.com
Twitter: www.twitter.com/adrianoagr

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Uma biblioteca sem livros - Será este o nosso futuro próximo?
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Com 144 anos de tradição, uma instituição de ensino da região de Boston, EUA, a Cushing Academy, decidiu encerrar as actividades da sua velha biblioteca.
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Parece muito radical numa visão conservadora, mas a Cushing Academy está a desfazer-se de todo o seu acervo bibliográfico com mais de 20 mil livros impressos, para dar lugar a uma biblioteca considerada dentro dos padrões do século XXI. Metade desses livros já foram doados, como romances, poesias, biografias, etc.
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Nas palavras do director da instituição, James Tracy, o suporte em que se baseia um livro está desfasado, e por isso tomou esta decisão com o objectivo de fazer um profundo upgrade tecnológico.
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No lugar das estantes de livros, o intuito é construir uma biblioteca virtual onde os estudantes poderão utilizar e-books, laptops e ecrãs com projecção de conteúdos da internet. No lugar do balcão de referência, haverá uma pequena cantina e uma máquina de capuccino de US$ 12.000.
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É caso para perguntar, será este o futuro próximo das bibliotecas? Irão os livros em papel desaparecer da face do nosso planeta? O que é certo é que a tecnologia avança, diariamente, a um ritmo alucinante. Agora, outra questão que se coloca é a seguinte: onde irão parar todos os livros que forem descartados das bibliotecas? Enfim...
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Esta notícia foi publicada no jornal on-line The Boston Globe, que pode consultar aqui.
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Fonte: http://internetparatodos.blogs.sapo.pt/205351.html
Acesso em: 27 set. 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Você já fez seu para casa? (Por Adriano Goulart)

O dia começa e Fernanda inicia sua pesada rotina. Estudos, trabalho, cuidar da saúde, da beleza, família, amigos, relacionamentos, compras, transportes, ufa!!!.. Tudo que a maioria das pessoas passa todos os dias. Não demora muito e Fernanda se vê às claras com tudo de errado e absurdo e corrupto que acontece na sociedade e refletindo, sofre com o fato dela sozinha não conseguir mudar muita coisa. O que fazer então?
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Encontramos formas pela ação representativa das pessoas, de nos organizarmos e com isso, buscarmos a solução para as dificuldades que aparecem pelo caminho. A forma utilizada para haver essa discussão e organização chama-se política. E ela funciona muito bem se for feita por pessoas que realmente procuram estar a serviço de seus representados e entendam o sentido do fazer política.
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Pois bem, informado o assunto principal desse artigo e diante dessa reflexão iniciada proponho a seguinte reflexão: você já fez seu “para casa”? Por que se não fez ainda dá tempo antes de chegar às próximas eleições. Esse é o tempo em que temos a oportunidade de escolher devidamente nossos representantes na sociedade por um período específico (e que não é curto). Nesse período muita coisa pode mudar. Esses representantes, os políticos, deverão agir em nosso favor no sentido de facilitar o nosso dia-a-dia com ações públicas governamentais.
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Quando se faz uma boa escolha, a ação de nossos representantes tende a ser muito próxima daquilo que desejaríamos fazer se nós mesmos tivéssemos autonomia para agir. Como exemplo, teríamos estradas e ruas bem pavimentadas e devidamente arrumadas quando tivessem problemas, nossas escolas teriam profissionais valorizados e boa estrutura para acolher a comunidade e portanto, oportunidade de boa educação pública para todos. Enfim, tantas outras formas de nosso cotidiano ser melhor. Mas será que é isso que acontece?
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O governo (através dos políticos) divide com a sociedade civil (nós) responsabilidades por várias coisas. E deveria ser prioritária por parte desses gestores melhor atenção e atendimento de todas as pessoas. Nem sempre isso acontece. Já para nós que definimos quem serão os representantes, o papel de escolher, fiscalizar e sobretudo cobrar por boas gestões nos parece bastante razoável já que é para os nossos interesses que os governantes estão atuando. Então eis aí o nosso “para casa”: escolher, fiscalizar e cobrar daqueles que nos representam.
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Quando estamos na escola e falamos sobre “para casa”, lembramos que isso nada mais é do que um exercício daquilo que se aprendeu. Uma melhora daquilo que já se fez . Portanto, para um “para casa” ser bem feito precisamos já ter compreendido ou nos informado de boa parte da matéria. É isso que vai nos garantir que o trabalha seja feito de forma correta.
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Assim também acontece com o “para casa” que eu proponho agora. Para escolher bem, fiscalizar e cobrar daqueles que nos representam temos que compreender exatamente qual a função exata de cada um desses nossos representantes. Você pesquisou sobre isso?
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Por exemplo: a próxima eleição no Brasil será em 2010. Serão escolhidos os futuros deputados estaduais e federais, governadores, senadores e o presidente. Quais as funções de cada um desses cargos? Já parou para pensar? Será que só os presidentes e os governadores é que tem importância? Porque às vezes a impressão que passa é essa. Não acha que já é hora de começar a saber sobre isso?
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Os eleitores se preocupam muito mais com os votos e atenção dispensadas a esses candidatos do chamado poder executivo (presidente, governadores e prefeitos) do que com os outros candidatos do poder legislativo (deputados, senadores e vereadores). Perceba que a cada eleição é mais fácil saber de gente que anulou seu voto para deputados, senadores, etc.. do que para governadores, prefeitos ou o presidente. E nesse raciocínio, nosso “para casa diário” já começa a ser feito de forma equivocada. Se cada cargo político tem uma função específica, então eu não deveria me preocupar somente com os candidatos do executivo e ignorar os outros. Aliás, ignorar nossa opinião é o que muitos desses nossos representantes do legislativo fazem depois que houve a eleição. Não faz sentido eu votar em um candidato para governador ou presidente e evitar ou não me preocupar sobre aqueles que procuram ser os próximos deputados, vereadores e senadores. As funções se complementam em responsabilidades no Estado democrático.
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Para ajudar nesse para-casa gostaria de sugerir algumas dicas:
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1 – Se você já votou na última eleição, o ideal é que você tenha anotado e guardado o nome do seu candidato mesmo depois das eleições. Lembre-se que “país que não tem memória está fadado a cometer os mesmos erros do passado”. E isso está diretamente relacionado aos seus cidadãos. Depende da gente. Mas se não anotou o nome é hora de fazer um esforço e tentar lembrar quais os nomes deles e procurar informações sobre o que eles têm feito para te representar. A lembrança do nome do candidato e a observação atenta do mandato dele são fundamentais para você fazer uma boa escolha no próximo processo eleitoral.
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Existem várias formas de você fiscalizar. Ler jornais ou assisti-los na televisão e ficar atento aos nomes de políticos que aparecem por lá é uma boa opção. Procure saber se estão falando coisas boas ou ruins desse político. Se aparece alguma informação nesse jornal sobre o seu representante ou que você deseja votar.
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Outra forma de fiscalizar é pela internet. É fácil! Procure pelo nome do político que você deseja nos sites de busca e veja o que aparece por lá. Aparecerão com certeza diversos eventos que te ajudarão a avaliar se o político está fazendo ou não um bom mandato.
Cabe aqui outra lembrança de que a maioria dos políticos que estão no mandado atualmente procura se reeleger ou se candidatar a outro cargo em cada uma das eleições. Então se antecipe a ele. Não espere ele te procurar. Procure-o antes. Deixe-o perceber que você está de olho. Quando o político sabe que o estão observando, pensa duas vezes no que faz.
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Após a observação do mandato do seu representante de acordo com os seus princípios e valores, saiba que se você não estiver satisfeito com o que vê, há formas de você protestar e reclamar de tudo isso. Pense: do mesmo jeito que a maioria dos candidatos lhe procura cheio de sorrisos durante a eleição para pedir o seu voto, você também pode e deve procurá-los durante todo o mandato dele? Ele tem a obrigação de lhe acolher bem para ouvir as suas considerações. Afinal é por sua causa que ele está lá. Isso pode ser feito fisicamente ou mesmo por email enviado a assessoria dele. Manifeste-se! Para isso bastar você buscar os sites desses políticos específicos para obter as informações de contato direto.
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2 – Anote, escreva as suas considerações sobre o político que você está avaliando. Se ele passou no seu “teste de seriedade”, é porque ele está apto a se candidatar a outro mandato e possivelmente exercer bem sua função. Porém se o resultado for negativo, aprenda a falar “não” nas investidas futuras desses candidatos. Acredite, elas virão. Sabe como se faz isso? Não vote mais nesse candidato que teve uma trajetória incorreta. Pense assim: “ele já teve sua oportunidade”. Lembre-se que no momento que você está na cabine eleitoral, o seu voto é secreto e ninguém poderá saber em quem você votou. Mesmo que seu vizinho, melhor amigo, parente, namorado, namorada ou qualquer outra pessoa esteja com você na hora e deseje lhe “ajudar” no seu voto. Na hora a decisão é sua.
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Para finalizar, sugiro que comece agora a fazer esse “para casa”. Pois você pode perceber que eles, os futuros representantes já estão se mexendo e estão todos ouriçados. Já pensou como será bom se você e a Fernanda do início do texto participar dessa mudança de atitude? Garanto que com essa consciência no dia da eleição a certeza de que as coisas erradas que andam acontecendo vão diminuir e muito, porque aqueles que não nos representam adequadamente sentirão que o seu povo é maior do que a podridão que as os consome. A corrupção.
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Então... Vamos ao Para Casa?
Adriano Goulart
Bibliotecário

sábado, 19 de setembro de 2009

Perigo da divisão racial

30 de agosto de 2009
"Cada homem é uma raça." A frase, título de um livro do escritor moçambicano Mia Couto, sintetiza a ideia de que cada indivíduo tem sua história, seu repertório cultural, seus desejos, suas preferências pessoais e, é claro, uma aparência física própria que, no conjunto, fazem dele um ser único. Rótulos raciais são, portanto, arbitrários e injustos.
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Mia Couto, com sua concepção universalista da humanidade, é citado algumas vezes em Uma gota de sangue - História do pensamento racial (Contexto; 400 páginas; 49,90 reais), do sociólogo paulistano Demétrio Magnoli, recém-chegado às livrarias. Trata-se de uma dessas obras ambiciosas, raras no Brasil, que partem de um esforço de pesquisa histórica monumental para elucidar um tema da atualidade. Magnoli estava intrigado com o avanço das cotas para negros no Brasil e resolveu investigar a raiz dessas políticas afirmativas.
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O resultado é uma análise meticulosa da evolução do conceito racial no mundo. Descobre-se em Uma gota de sangue que as atuais políticas de cotas derivam dos mesmos pressupostos clássicos sobre raça que embasaram, num passado não tão distante, a segregação oficial de negros e outros grupos. A diferença é que, agora, esse velho pensamento assume o nome de multiculturalismo - a ideia de que uma nação é uma colcha de retalhos de grupos étnicos que formam um conjunto, mas não se misturam. É o racismo com nova pele.
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Magnoli descreve como duas visões de mundo opostas estiveram em constante tensão ao longo da história mundial recente. A primeira, derivada do tronco científico, crê numa espécie humana dividida em raças que se distinguem por ancestralidades diferentes, expressas em traços físicos e culturais. Os arautos dessa ideia podem ser chamados, genericamente, de racialistas.
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A segunda visão, antirracialista, nega a separação da humanidade em categorias inventadas e acredita no princípio da igualdade entre as pessoas. Representam a linha de pensamento antirracialista personalidades como o líder sul-africano Nelson Mandela e os americanos Frederick Douglas, abolicionista do século XIX, Martin Luther King, líder do movimento em defesa dos direitos civis. Entre os racialistas, figuram o presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, o ditador alemão Adolf Hitler e o ativista negro americano Malcom X.
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Uma gota de sangue alerta para o que ocorre quando um estado se mete a catalogar a população segundo critérios raciais com o objetivo de, a partir deles, elaborar políticas públicas: pouco a pouco, os próprios cidadãos passam a acreditar naquela divisão e se veem obrigados a defender interesses de gueto. Isso cria conflitos políticos e rancor, inclusive nas situações em que as leis tentam beneficiar um grupo antes segregado. É o caso da Índia, país com o maior programa de cotas do mundo.
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O complexo sistema indiano de castas, tornado oficial pelo imperialismo inglês no século XIX, levou a que o governo daquele país, na década de 50, concedesse privilégios ao grupo dos intocáveis, ou dalits, e "outras classes retardatárias" - expressão contida no texto constitucional do país. Uma forma de tentar compensá-los das injustiças sofridas no passado. O resultado é que eles passaram a ser invejados. Em 2008, os membros da etnia gujar, do norte da Índia, entraram em choque com a polícia, em protestos que mataram quatro dezenas de pessoas, para pedir o próprio rebaixamento no sistema de castas. Sua reivindicação: também serem considerados inferiores o suficiente para ganhar cotas no serviço público e em universidades. Conseguiram.
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A ideia de que existem raças é um anacronismo que não condiz com a tradição brasileira e com as mudanças que vêm ocorrendo no mundo civilizado. Barack Obama, presidente do país que inventou a regra da gota única de sangue, define-se não como negro, mas como mestiço. E não deixa de ser curioso que, se fosse brasileiro, isso talvez o impedisse de ganhar uma bolsa no Itamaraty. O filósofo Kwame Anthony Appiah, professor de estudos afro-americanos da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, colocou a questão nos seguintes termos, em entrevista a VEJA: "O estado brasileiro pode não ter ajudado os descendentes dos escravos a sair da pobreza, mas pelo menos jamais os discriminou ativamente, como ocorreu nos Estados Unidos. Isso faz uma grande diferença. Adotar políticas raciais, agora, significaria criar no Brasil uma minoria com privilégios. Em democracias, a existência de minorias com tratamento especial quase sempre resulta em encrenca. A pergunta que os brasileiros deveriam fazer é: isso vale a pena?" Uma gota de sangue, de Demétrio Magnoli, contribui para que se responda: não, não e não.
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íntegra na Revista Veja n.35 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Twitter e a preguiça de ler e escrever

O Twitter e a preguiça de ler e escrever (Por Adriano Goulart)
Diário de bordo número 1 de 02 de setembro de 2009 . Eis-me aqui, cidadão cibernético adrianoagr pronto para tecer minhas considerações sobre o mais novo fenômeno da internet, O twitter. Fenômeno esse que desde ontem também faço parte. Será que fiquei bobo? Torço para que não.
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Pois muito bem, ao criar uma conta nesse mecanismo sinto uma vontade enorme de compartilhar com todos uma reflexão acerca dessa nova rede que para ser bem prático, é para mim mais uma valiosa ferramenta baseada na premissa do sentimento de preguiça que as pessoas tem em ler e escrever. Ou seja, uma rede de blogs para preguiçosos. Entrei nela esperando sinceramente que eu esteja errado.
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Eu explico meu raciocínio: o Twitter é uma rede social, baseada em conceitos e princípios da chamada cibercultura que apresenta ferramentas tecnológicas em formato online e que permite as pessoas se conhecerem e passem a interagir e comunicar-se. Teve seu “boom” na internet há um ano aproximadamente nos Estados Unidos e a partir daí se espalhou pelo mundo. Os internautas não tiveram dificuldades de assimilar essa nova idéia.
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Nova idéia? Na verdade não é bem assim. Os conceitos e as ferramentas utilizadas por esse site já são conhecidos pela maior parte dos usuários já ha algum tempo. Orkut, Facebook, MySpace, blogs em geral já dispunham desses recursos e os colocavam à disposição de seus usuários com maior ou menor intensidade há pelo menos 5 anos.
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Assim, o que o Twitter apresenta como a grande novidade não é a possibilidade de interagir praticamente em tempo real com os outros usuários e nem possibilidades de inserção de informações sobre si ou sobre algo. A grande aposta dessa rede é inserir informações em uma interface parecida com a de um blog de mensagens com tamanho máximo de 140 caracteres no qual as pessoas possam comentar! Mas aprofundando o raciocínio nos parece que tal estratégia apresenta um retrocesso no avanço tecnológico e da internet que cada vez mais tem espaços ilimitados para fluxo e armazenamento de informações.
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A dinâmica desse espaço está justamente na premissa de disponibilizar aos usuários acessos rápidos com informações curtas e práticas sobre seu cotidiano. Curtas mesmo. Como se fossem no celular.
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Na prática, aparecem mini-diálogos ou multi-mini-diálogos sobre temas dos mais diversos, quase sempre de caráter subjetivo mas que expõem claramente o fazer e o pensar das pessoas. Ao acessar o seu perfil, a pergunta “What are you doing?” (O que você está fazendo?) se destaca. A partir daí , tudo que o usuário deve fazer é uma proposição. Apresentar o que se faz no momento, o que se lê, o que se informa e por aí vai...
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Nada de espetacular na proposta a não ser o chamado “marketing viral” que no meu entender se aplica também aos sites. E no caso do Twitter está dando um show. Um usuário conhece algo na internet (vídeo, som, idéia, etc) , se identifica com esse material por alguma razão e transmite a outro , que transmite a um terceiro e assim a novidade se espalha.
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No Brasil, o Twitter praticamente não era conhecido até que os atores globais (da Rede Globo de Televisão) e grandes empresas e instituições (principalmente as de comunicação), inspiradas no modelo americano aderiram a novidade. Uma moda, ou melhor, uma febre foi se criando a medida que artistas das emissoras foram anunciando seus perfis em plena rede nacional de tv. Assim como o orkut, que se popularizou no Brasil há cinco anos, as pessoas desejam estar no Twitter também, mesmo sem saber ao certo o que é. De resto, o sentido que se dá a ferramenta, a usabilidade e a interface e os contatos, a interação que se pretende fica secundária.
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É perfeitamente possível entender o porquê desse fenômeno acontecer. Ou pelo menos acredito que uma das razões para tal avanço dessa rede seja de que a maior parte das pessoas não procuram leitura na internet. Nem conhecimento ou informação consistente. Elas têm preguiça de um texto com mais de 3 parágrafos. De ler e escrever. Tudo que querem é reproduzir um comportamento de massa, também visível na internet através das redes sociais. Isso as conforta.
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Para quê ler um texto na fonte original, com páginas e mais páginas? Conteúdos difíceis e que demandam de certa habilidade anterior para compreender. Entender a dinâmica da internet? De forma alguma! Assim, um texto limitado ao número de caracteres que estou habituado no meu celular é mais que razoável.
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Claro que também há nesse espaço profissionais e pessoas que apresentam um melhor conteúdo e utilizam-se desse recurso com outro foco de disseminação de suas abordagens e pensamentos. Referenciam suas idéias e produção vinculando-as a outros ambientes da internet. Ou sugerem um debate frente a assuntos polêmicos ou reflexões de caráter mais global. Porém, a maioria quer apenas receber bugigangas informativas. O sentido de pertença a uma rede fala mais alto. Status cibernético, mesmo que de forma passiva e incapaz.
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O Twitter vai durar muito tempo? Acredito que não. Baseado na dinâmica da web 2.0, em que tecnologias e idéias as vezes nem tão novas, mas apenas remoldadas são apresentadas ao grande público numa velocidade vertiginosa e as antigas são simplesmente esquecidas, vejo no Twitter uma vida útil de 8 anos no máximo. O que para a internet já seria uma eternidade.
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Para terminar, ao tentar deixar de lado o preconceito que assumo ter diante da nova ferramenta, pois seu caráter prático oculta um propósito alienante aos seus usuários, reduzindo-os apenas em receptores de informação e produtores de uma minúscula parcela de conteúdo consistente, pois os diálogos banais são comuns nesse espaço, vejo em caráter comercial, institucional ou jornalistico algumas qualidades em inserir-se nessa rede. Os mecanismos de comunicação por exemplo, já perceberam esse filão. A maioria das emissoras brasileiras e seus respectivos ícones já tem seu perfil no Twitter. As Informações mastigadas e não críticas disponibilizadas aos seus usuários fazem parte desse cenário já há algum tempo.
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Já do ponto de vista pessoal talvez haja uma oportunidade mínima de interação e comunicação com os outros. E é esse o meu propósito nessa rede. Sem muitas aspirações, mas como bom navegador cibernético que procuro ser, uma oportunidade de conhecer as pessoas através dessa nova vida virtual.
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Por hora, fim da transmissão...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Cristianismo: uma religião? Ou a saída da religião. - Comentários pessoais sobre o texto

Comentários pessoais sobre um artigo recebido - "O Cristianismo: uma religião? Ou a saída da religião". (o texto original encontra-se logo após o comentário).
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Se Jesus não quisesse estabelecer de fato uma religião (religare), jamais se afirmaria como o próprio caminho a Deus e talvez a passagem "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai se não por mim". (João 14, 1-6) não faria nenhum sentido.
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Dessa forma, se o próprio Cristo se reconhecesse como apenas um "Judeu piedoso e fiel" e não desejasse romper de maneira nenhuma com a religião vigente como diz o artigo, provavelmente seria fácil para Ele se associar a pelo menos um dos diversos grupos e tendências religiosas que compunham sua contemporaneidade (saduceus, fariseus, essênios, zelotas, etc..) e o no entanto o que o Messias fez não agradou a nenhum desses grupos pois a proposta Dele era completamente nova. Afirmar as bem aventuranças aos "pobres e humildes de coração" era muito para as práticas religiosas de seu tempo, desde os tempos de Davi e Salomão.
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Alías tinha tanta certeza de sua missão e que não era um mero judeu que em uma de suas parábolas (O Dono da vinha), mandou um recado claro àqueles que o matariam em breve, reafirmando sua condição de "herdeiro de Deus". Mc 12, 6-8
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Por último, acredito que se a ação transformadora de Jesus naquele povo e sua continuidade com os discípulos teve um propósito meramente reformador do judaísmo de outrora, então o Cristo seria um mito, um mártir e não o "Pão vivo que desceu do céu" (João 6,51) como o mesmo afirma.
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O que pode ser comparado e discutido em nossos dias é o interpretar errôneo e o uso das leis pelas autoridades religiosas da época de Jesus no qual Ele próprio combatia, com as doutrinas e posturas assumidas pelas nossas autoridades atuais (sejam religiosas, políticas ou econômicas), que em nome de Deus e de Cristo, fazem atrocidades. Isso sim é a anti-religião, que tenho certeza que o próprio Jesus não aceitaria. Talvez o próprio Deus-homem diria hoje: isso é ser Cristão? Então eu não o sou.
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O Cristianismo: uma religião? Ou a saída da religião
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer
27-Ago-2009

Sempre nos pareceu muito evidente afirmar que o Cristianismo é uma religião. Pois na verdade isso não é tão claro assim. Cada vez mais a teologia se inclina por afirmar que o Cristianismo não pode ser definido como uma religião. O que significa isso? Na verdade, muitas coisas, e que, se pensarmos bem, não irão nos parecer tão estranhas. Comecemos do começo. Ou melhor: comecemos por Jesus de Nazaré. Será que podemos afirmar que Jesus queria fundar uma religião?

Achamos que não. Jesus já tinha uma religião e não pensava em escolher outra. Era um judeu piedoso e fiel. O que o incomodava, justamente, era aquilo que os especialistas da religião haviam feito com a fé de Israel. Ao ler os quatro evangelhos, vemos claramente que a disputa de Jesus com os mandatários de sua religião se centra na distorção ou deturpação da imagem de Deus que os que se acreditavam donos da religião, do templo e da lei haviam feito. Haviam posto sobre os ombros do povo um peso tão absolutamente insuportável que era impossível de carregar. Um sem número de rubricas, ritos, prescrições.

Uma severidade implacável para com o cumprimento de todas essas mínimas normas e uma crueldade com as pessoas mais simples e humildes que não conseguiam cumpri-las por não terem condições de fazê-las. Jesus percebia que segmentos inteiros do povo eram declarados sem Deus: doentes, leprosos, pecadores. E que várias categorias de pessoas eram tratadas como cidadãos de segunda categoria dentro deste mesmo povo: mulheres, crianças.

A esses então Jesus anuncia uma boa notícia, um Evangelho: o projeto do Pai, o Reino, é para eles também. Mais ainda: eles serão os primeiros a entrar, pois são humildes, se reconhecem pecadores, se sabem necessitados de misericórdia e perdão e não se acham donos inexpugnáveis e sobranceiros do dom de Deus que ninguém pode se arvorar em possuir.

Ao fazer isso, Jesus não queria atacar nem agredir a religião de seus pais, na qual havia nascido e a qual amava. Desejava apenas que a pureza do ideal da Aliança que sustentou a história e a caminhada de Israel pudesse continuar e crescer em toda a sua pureza. Porém, por isso mesmo foi considerado blasfemo. Acusaram-no de agir contra a religião, de colocar em perigo a religião vigente que emanava do Templo de Jerusalém.

E por isso fazem um complot para matá-lo. E efetivamente o matam. É algo que deve fazer-nos pensar que quem matou Jesus não foi um grupo de bandidos e foras da lei. Pelo contrário, foram homens considerados de bem, guardiões da ordem e da religião. Por crê-lo inimigo da religião de Israel, acreditaram dever eliminá-lo. Temiam que ele quisesse acabar com a religião e trazer uma nova religião. Na verdade, a proposta de Jesus não é a de uma religião, e sim de um caminho: o caminho do amor, da justiça, da fraternidade.

O caminho da experiência de ser filhos de um Deus que é Pai bondoso, amoroso, misericordioso. E por isso, ser irmãos uns dos outros. Assim fazendo, Jesus desloca o eixo da presença de Deus do Templo para o ser humano. Anuncia que quando alguém está ferido à beira do caminho há que deter-se e socorrê-lo, atendê-lo, com todo o amor e desvelo possíveis. E não ir correndo para o templo porque se está atrasado para a celebração.

Quem se detém e pratica o amor para com o próximo ferido e desamparado encontra a Deus. Mesmo que seja um idólatra, como o samaritano do capítulo 10 do evangelho de Lucas. Mesmo que esse Deus se revele fora do Templo e das rubricas da Lei. Com a morte de Jesus e a experiência de sua ressurreição, seus seguidores começaram a anunciar seu nome e um movimento de fé começou a criar-se em torno dele. E essa fé necessitava de uma religião para expressar-se. Por isso tomou os ritos do judaísmo e acrescentou outros.

O Cristianismo nascente tentou ficar dentro da sinagoga. Não foi possível e o próprio Paulo - judeu filho de judeus, circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamin, formado aos pés de Gamaliel -, com muita dor na alma, foi quem chefiou o movimento de ruptura e ida aos gentios. Espalhou-se pelo mundo a nova proposta, que cresceu e configurou todo o ocidente. Aquilo que começara humildemente em Nazaré da Galiléia, com o carpinteiro fazedor de milagres que chamava Deus de Abba - Paizinho -, tornava-se, sobretudo depois do século IV, a religião mais poderosa e hegemônica do mundo.

Foi preciso que houvesse a virada da modernidade, o declínio do mundo teocêntrico medieval, que o Cristianismo perdesse o poder que tinha de instância normativa dentro da sociedade para que aparecesse a verdade inicial em toda a sua pureza. O Cristianismo não é uma religião. Ou, se for, é uma religião da saída da religião. É um caminho de fé que opera pelo amor, um estilo de viver, nas pegadas de Jesus de Nazaré, que passou pelo mundo fazendo o bem. O que isso quer dizer para nós hoje? Que tudo que é religioso é mau? De forma alguma.

Os gestos, os rituais, as normas, as fórmulas religiosas são boas desde que enunciem a verdade de uma fé, de um sentido de vida que se expressa na abertura a Deus e ao outro. E por isso são relativas. Pode ser que algumas expressões religiosas que foram muito adequadas a determinada época histórica sejam extremamente inadequadas a outra ou outras. O único absoluto é Deus. O resto... é resto mesmo. Isso é que, hoje como ontem, o Cristianismo é chamado a proclamar diante do mundo.

Maria Clara Lucchetti Bingemer é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio.

Adriano Goulart - AGR -
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