quinta-feira, 24 de junho de 2010

DIA SEM GLOBO, sexta, 25.06.10!!!


 
                   LEIA  ATÉ  O  FIM
 
 
Junte se a nós e participe do DiaSemGlobo
em apoio a Dunga.
O técnico da seleção brasileira abriu fogo contra a Rede Globo.Dunga deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. Poucas horas depois, um dos apresentadores do programa Fantástico, Tadeu Schmidt, da África leu um editorial da emissora detonando Dunga.

Tudo tem um porque, antes do ataque ao Dunga no Fantástico, o Jornal O Globo já havia descido a lenha na seleção e principalmente no seu treinador.

Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ?

Vamos aos fatos :

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul.

Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc.

Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa do poderoso William Bonner sentenciou :

" Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores..."

Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação:
" Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de "REPORTAGEM EXCLUSIVA" para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma..."

Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!!

" Mas... - prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria".

Dunga: - " Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!"

O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir.

Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma goleada, qualquer fiasqueira na África, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência frente a uma das instituições privadas mais poderosas no País e que tem por hábito impor suas vontades, eis que é líder de audiência e por isso se acha acima do bem e do mal.

Em linguagem popular, o Dunga simplesmente mijou na Vênus Platinada ! Sugiro uma estátua para ele!!!


Após a poderosa Globo a mesma que levou o Collorido ao poder e depois o detonou por seus interesses, agora difama o Dunga, tá certo que o cara é meio Ogro, mas não teve o direito de se defender dos ataques em momento algum.

Falar mal do cara é liberdade de imprensa
Ouvir o cara não pode?

A reação do povo foi imediata.O editorial lido no programa "Fantástico", da Rede Globo, deu repercussão no mundo virtual. E pela primeira vez na história o Brasil inteiro apóia o técnico da Seleção. Só a Globo para conseguir isso...
Dentre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira (21), a frase "Cala boca, Tadeu Schmidt" era líder absoluta --superou até a antecessora "Cala Boca, Galvão", que liderou por dias seguidos os Trending Topics.
E não parou por ai. Em apoio ao técnico da seleção brasileira, os twiteiros lançaram o "DiaSemGlobo", que será nessa sexta-feira, quando o Brasil vai jogar com a seleção de Portugal, no encerramento da primeira fase da copa.
Todo mundo na Band, ou em outra emissora, não vamos sintonizar a Globo na sexta-feira, temos que começar a deixar de ser gado manso, mostrar que não somos trouxas manipuláveis.-
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TRANSFORME-SE EM PERSONAGENS ENGRAÇADOS COM O SITE DE I LOVE MESSENGER. VEJA COMO.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

História do Brasil: República velha e era Vargas

Movimento: Brasil, quem conhece torce de verdade! Entre nessa!



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Durante o período da Copa do Mundo 2010, sugerimos àqueles que se consideram torcedores da Seleção de Futebol do Brasil, que conheçam um pouco mais sobre essa grande nação. Nada adianta defendermos nosso país de 4 emf 4 anos, vestindo a camisa amarela e nos orgulhando de gritar o nome desse país, se no nosso cotidiano nada sabemos sobre sua grandeza. Essa é uma oportunidade para melhorarmos como cidadãos brasileiros de verdade e ajudarmos a construir um Brasil que vale a pena viver. Cada dia, durante a copa, aproveite e leia sobre o Brasil.



Tema de hoje: República velha e era Vargas



REPÚBLICA VELHA
O movimento tenentista foi a primeira contestação aberta à República Oligárquica. Jovens oficiais do Exército terminaram por liderar várias rebeliões a partir de 1922, formando um clima propício para o desenlace do regime em 1930.



Começando com a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, seguindo-se pela revolta paulista em 1924, chamada de revolta de Isidoro (devido seu comandante chamar-se General Isidoro) passando pela grande feito de armas que foi a Coluna Prestes, entre 1924-26, culminando com o levante armado de outubro de 1930.



Estes jovens oficiais mostravam seu inconformismo com a situação política e social do Brasil e desejavam afastar as oligarquias do comando da Nação. Só conseguiram sucesso no entanto por dois fatores: a crise econômica de 1929 que afetou o poder da oligarquia paulista e a rebelião das oligarquias periféricas; a do Rio Grande do Sul comandada por Getúlio Vargas e a da Paraíba liderada por João Pessoa. Aliados a Getúlio Vargas os tenentes tiveram por um momento no topo do poder.



A Revolução de 1930



Até os anos trinta o Brasil era na realidade uma imensa fazenda que produzia para a exportação: açúcar no Nordeste decadente e café em São Paulo. A abolição da escravidão em 1888 terminou por abrir as portas do País ao fluxo imigratório vindo da Europa. Milhares de braços foram então reforçar a crescentemente poderosa economia do Centro-Sul brasileiro.



Mas a crise econômica de 1929 fez com que tudo desabasse. O preço do café despencou para um quinto do seu valor, da noite para o dia, nossas cidades ficaram repletas de desempregados e mendigos. Tornou-se inaceitável que os paulistas continuassem sua tutela sobre a Nação pois eles fariam com que o ônus da crise terminasse sendo jogado nas costas dos Estados periféricos. Getúlio Vargas lança-se como candidato à Presidência da República, tendo o paraibano João Pessoa como seu vice, formando aliança dos periféricos contra os paulistas então hegemônicos.



Devido à fraude institucionalizada o paulista Júlio Prestres foi eleito. Foi então que um fato dramático precipitou os acontecimentos, João Pessoa, vice de Getúlio foi assassinado no Recife por razões de desavença pessoal. Sua morte, no entanto, foi entendida como uma represália dos acólitos do governo do Presidente Washington Luís.



O Rio grande do Sul ergueu-se em armas. Minas ressentida pela preterição do seu candidato, Antônio Carlos, apoiou o Rio Grande. A maioria dos Estados permaneceu passivo outros aderiram à rebelião. Sentindo-se sem sustentação, o Presidente Washington Luís renuncia e Getúlio Vargas assume a presidência a título provisório. A revolução tinha sido bem sucedida.

A Contra-revolução de 1932



Insatisfeito com a sua marginalização no Poder, as oligarquias paulistas preparam-se para pegar em armas e recuperar a sua proeminência. A pretexto da morte de quatro estudante em conflitos de rua, São Paulo mobiliza-se. Fica no entanto sozinho. O Governo de Vergas convoca suas forças e põe sítio aos paulistas que terminaram se rendendo. Mesmo vitorioso Vargas compreende a necessidade de convocar uma constituinte para sedimentar as conquistas da revolução (legislação social e ampliação e garantia dos direitos de voto).

A Intentona Comunista de 1935



Luíz Carlos Prestes, o comandante da célebre coluna que marchou por mais de 20 mil quilômetros no interior do Brasil havia se negado a participar junto com tantos outros seus companheiros do levante de outubro de 1930. Aceitou um convite para visitar a União Soviética para onde rumou depois de ter divulgado um manifesto clamando por uma revolução social. Em Moscou tomou a decisão de insuflar um levante contra o governo de Getúlio Vargas pois relatórios de militantes comunistas indicavam-no fraco. Atuando na clandestinidade Prestes ordenou a rebelião dos quartéis do Rio de Janeiro, Natal e Recife em novembro de 1935. O levante foi sufocado em poucas horas e os comunistas tiveram que amargar um período extremamente duro nas prisões varguistas. A denominada Intentona Comunista serviu de pretexto para Vargas decretar o Estado Novo, ditadura implantada em novembro de 1937 que se estendeu até o final da guerra, em 1945.



A República Ditatorial



O Estado Novo



A Constituição de 1934 havia consagrado Getúlio Vargas como Presidente Constitucional até 1938. Em 1937 estávamos em plena campanha eleitoral para a sucessão presidencial: Vargas pretextando futuras convulsões provocadas pelos comunistas e apoiado num apócrifo plano - o Plano Cohen - resolveu proclamar-se ditador cancelando as eleições, suprimindo com os partidos, afastando governadores e prefeitos e esmagando qualquer tipo de oposição ao novo regime de nítida inspiração nos moldes fascistas que então ascendiam em boa parte da Europa (O "Estado Novo" em Portugal em 1932, Hitler na Alemanha em 1933, o golpe do general Franco em 1936, etc...). a nova Constituição, redigida por um simpatizante do fascismo, Francisco Campos, denominou-se "a polaca" por inspirar-se no sistema autoritário do Marechal Pilszuldski da Polônia. Simultaneamente à sua política repressiva, Vargas consolidou a legislação trabalhista que integrou socialmente a classe operária brasileira, dando-lhes garantias protetoras e tornando-se assim "o pai dos pobres".

A República Democrática



A democratização de 1945



Preocupados com o desejo continuísta de Getúlio Vargas refletida no movimento queremista ("Queremos Getúlio"), os militares trataram de golpeá-lo em outubro de 1945. A nova carta, aprovada em 1946, restabeleceu plenamente os direitos democráticos e a liberdade partidária (exceção do Partido comunista, cassada em 1947).



Os governadores voltaram a serem eleitos, bem como os prefeitos. Na primeira eleição democrática foi sufragado o General Eurico Gaspar Dutra, ministro de Getúlio Vargas (então recolhido para suas terras em São Borja no Rio Grande do Sul).



O retorno de Getúlio Vargas ao poder



De certo modo, mesmo afastado do Poder, Getúlio Vargas ainda controlava indiretamente a vida política nacional. Em 1945 ele havia criado dois partidos, o PSD para congregar os conservadores e a parte da burocracia e o PTB, partido trabalhista que visava proteger os interesses dos trabalhadores. Estes dois partidos vão realizar uma espécie de coalizão informal e governarão o brasil até o golpe militar de 1964. Para as eleições de 1950 Vargas terminou se lançando pela legenda do PTB e vence com facilidade.



Este seu segundo governo foi marcado pela agitação nacionalista em torno da campanha "O Petróleo é Nosso" que culminou na criação da Petrobrás em 1953. O atentado contra o Major Vaz, da aeronáutica, companheiro de Carlos Lacerda, o grande oposicionista do governo Vargas, provocou uma grande comoção especialmente junto às Forças Armadas. Para evitar ser novamente derrubado por elas, Getúlio Vargas cometeu suicídio, em agosto de 1954, fazendo com que ocorressem enormes manifestações e saques pelo Brasil à fora, paralisando os golpistas anti-populistas.

O governo de Juscelino



A morte de Vargas, que traumatizou profundamente o País, foi sucedida pela bem-aventurança do governo de Juscelino Kubistschek, ex-governador do Estado de Minas Gerais. Eleito em 1955, Juscelino realizou um dos melhores governos da história republicana. Estimulou a criação do parque industrial de bens de consumo, especialmente os automóveis e deslocou a capital para o interior do Brasil.



Brasília foi inaugurada no final do seu mandato, em 1960. Tratou de forma benigna a oposição, bem como, os dois levantes militares que foram facilmente neutralizados.



As profundas modificações que causou na estrutura social e econômica do Brasil foram os verdadeiros legados daquele governo. Com ele o Brasil saltou em definitivo rumo à industrialização e à internacionalização da sua economia.
A crise de 1961



Nas eleições de 1960 o povo brasileiro elegeu Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo, por uma maioria esmagadora de votos. Passados sete meses de sua posse, Jânio Quadros renunciou lançando o País na sua mais grave crise do após-guerra. Os ministros militares negaram-se a obedecer a Constituição e darem posse ao Vice-Presidente João Goulart, acusando-o de ser simpatizante da implantação de uma república sindicalista.



Na realidade temia-se a agitação provocada pela Revolução Cubana que entrava então na sua fase radical, realizando uma reforma agrária e banindo as burguesias agrárias e urbanas da ilha. Leonel Brizola governador do estado do Rio Grande do Sul lança em Porto Alegre, em agosto de 1961, o manifesto pela "Legalidade" que visava dar posse a Jango, então ausente do País, em viagem pela China Comunista.



O Exército dividiu-se quando o comandante do III Exército, General Machado Lopes resolveu apoiar Brizola. A guerra civil foi evitada graças a uma emenda constitucional que introduziu no Brasil o sistema parlamentarista. Por ele João Goulart tomava posse mas teria de dividir seus poderes com o Congresso que passava a controlar seu ministério. Jango aceitou mas depois realizou um plebiscito reintroduzindo o presidencialismo em 1963.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

História do Brasil: independência e império

Movimento: Brasil, quem conhece torce de verdade! Entre nessa!

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Durante o período da Copa do Mundo 2010, sugerimos àqueles que se consideram torcedores da Seleção de Futebol do Brasil, que conheçam um pouco mais sobre essa grande nação. Nada adianta defendermos nosso país de 4 emf 4 anos, vestindo a camisa amarela e nos orgulhando de gritar o nome desse país, se no nosso cotidiano nada sabemos sobre sua grandeza. Essa é uma oportunidade para melhorarmos como cidadãos brasileiros de verdade e ajudarmos a construir um Brasil que vale a pena viver. Cada dia, durante a copa, aproveite e leia sobre o Brasil.

Tema de hoje: INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - Fonte: http://www.historiadobrasil.net/independencia/


História da Independência do Brasil, fim da colonização na História do Brasil, o 7 de setembro de 1822, o grito de Independência
Grito da Independência às margens do Ipiranga

Introdução

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Dia do Fico

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."

O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

Pós Independência

Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

FOnte : http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil

D. João VI retornou à Europa em 26 de abril de 1821, deixando seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara, como regente para governar o Brasil.[51] O governo português tentou transformar o Brasil em uma colônia, uma vez mais, privando-a dos seus resultados desde 1808.[52] Os brasileiros se recusaram a ceder e D. Pedro ficou com eles, declarando a independência do país de Portugal, em 7 de setembro de 1822.[53] Em 12 de outubro de 1822, Pedro foi declarado o primeiro imperador do Brasil e coroado D. Pedro I em 1 de dezembro de 1822.[54]

Naquele tempo quase todos os brasileiros eram a favor de uma monarquia e o republicanismo teve pouco apoio.[55][56] A subsequente Guerra da independência do Brasil propagou-se quase todo o território, com batalhas nas regiões norte, nordeste e sul.[57] Os últimos soldados portugueses renderam-se em 8 de março de 1824[58] e a independência foi reconhecida por Portugal em 29 de agosto de 1825.[59]
Imperador Dom Pedro II em 1873. Devido ao "tempo de governo e as transformações que ocorreram, nenhum outro chefe de Estado já teve um impacto tão profundo na história do país".[60]A primeira constituição brasileira foi promulgada em 25 de março de 1824, após a sua aceitação pelos conselhos municipais de todo o país.[61][62][63][64] D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831 e foi para a Europa para recuperar a coroa de sua filha, deixando para trás seu filho de cinco anos e herdeiro, que viria a ser Dom Pedro II.[65] Como o novo imperador não pôde exercer suas prerrogativas constitucionais até atingir a maturidade, a regência foi criada.[66] Disputas entre facções políticas levaram a rebeliões e uma instável, quase anárquica, regência.[67] As facções rebeldes, no entanto, não estavam em revolta contra a monarquia,[68][69] embora algumas declarassem a secessão das províncias como repúblicas independentes, mas só enquanto Pedro II era menor de idade.[70] Devido a isso, D. Pedro II foi declarado imperador prematuramente e "o Brasil desfrutou de quase meio século de paz interna e progresso material rápido."[71]

O Brasil ganhou três guerras internacionais durante os 59 anos de reinado de Pedro II (a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e da Guerra da Tríplice Aliança)[72] e testemunhou a consolidação da democracia representativa, principalmente devido à realização de eleições sucessivas, e irrestrita liberdade de imprensa.[73] A escravidão foi extinta após um lento processo, mas constante que começou com o fim do tráfico internacional de escravos em 1850[74] e terminou com a abolição da escravatura em 1888.[75] A população escrava estava em declínio desde a independência do Brasil: em 1823, 29% da população brasileira era composta por escravos, mas em 1887 o percentual havia caído para 5%.[76]

Quando a monarquia foi derrubada em 15 de novembro de 1889,[77] houve pouca vontade no Brasil para mudar a forma de governo[78] e Pedro II estava no auge de sua popularidade entre seus súditos.[79][80] No entanto, ele "foi o principal, talvez o único, a responsável pela sua própria derrubada."[81] Após a morte de seus dois filhos, Pedro acredita que "o regime imperial estava destinado a terminar com ele."[82] Ele pouco se importava com o destino do regime[83][84] e por isso não fez nada, nem permitiu que outra pessoa fizesse algo, para evitar o golpe militar, apoiado por antigos proprietários de escravos que se ressentiam da abolição da escravatura.[85][86][87]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

História do Brasil - Período pré-colonial, colonização portuguesa e expansão territorial

Movimento: Brasil, quem conhece torce de verdade! Entre nessa!
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Durante o período da Copa do Mundo 2010, sugerimos àqueles que se consideram torcedores da Seleção de Futebol do Brasil, que conheçam um pouco mais sobre essa grande nação. Nada adianta defendermos nosso país de 4 emf 4 anos, vestindo a camisa amarela e nos orgulhando de gritar o nome desse país, se no nosso cotidiano nada sabemos sobre sua grandeza. Essa é uma oportunidade para melhorarmos como cidadãos brasileiros de verdade e ajudarmos a construir um Brasil que vale a pena viver. Cada dia, durante a copa, aproveite e leia sobre o Brasil.







Tema de hoje: Período pré-colonial, colonização portuguesa e expansão territorial (http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil)

Quando encontrado pelos portugueses em 1500, estima-se que o atual território do Brasil (a costa oriental da América do Sul), era habitado[25] por 2 milhões de indígenas, do norte ao sul.[26]

A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje.[27] Segundo Luís da Câmara Cascudo,[28] os tupis foram «a primeira raça indígena que teve contacto com o colonizador e (…) decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava». A terra agora chamada Brasil (cuja origem do seu nome é contestada) foi reivindicada por Portugal em abril de 1500, com a chegada da frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral.[29] O português encontrou nativos da Idade da Pedra divididos em várias tribos, a maioria das quais compartilhavam a mesma família linguística, o Tupi-Guarani, e lutaram entre si.[30]

Formação do estado brasileiro (em verde escuro) e dos países sul-americanos desde 1700.A colonização foi efetivamente iniciada em 1534, quando D. João III dividiu o território em doze capitanias hereditárias,[31][32] mas esse arranjo era problemático e em 1549 o rei atribuiu um governador-geral para administrar toda a colônia.[32][33] Os portugueses assimilaram algumas das tribos nativas,[34] enquanto outras foram escravizadas ou exterminadas em longas guerras ou por doenças europeias para as quais não tinham imunidade.[35][36] Em meados do século XVI, o açúcar tornou-se o mais importante produto de exportação do Brasil[30][37] e escravos africanos começaram a ser importados pelos portugueses[38][39] para lidar com a crescente demanda internacional.[35][40]

Através de guerras contra os franceses, os portugueses lentamente expandiram seu território para o sudeste, tomando o Rio de Janeiro, em 1567, e para o noroeste, tomando São Luís em 1615.[41] Eles enviaram expedições militares para a Amazônia e conquistaram fortalezas britânicas e holandesas, fundando aldeias e fortalezas em 1669.[42] Em 1680 eles chegaram ao extremo sul e fundaram a Colônia do Sacramento, na margem do Rio da Prata, na região da Faixa Oriental (atual Uruguai).[43]

No final do século XVII as exportações de açúcar começaram a diminuir,[44] mas a descoberta de ouro por exploradores da região que mais tarde seria chamada de Minas Gerais, em torno de 1693, e nas décadas seguintes nos atuais Mato Grosso e Goiás, salvaram a colônia de um colapso econômico iminente.[45] De todo o Brasil, bem como de Portugal, milhares de imigrantes vieram para as minas.[46] Os espanhóis tentaram impedir a expansão dos portugueses para o território que lhes pertencia de acordo com o Tratado de Tordesilhas de 1494, e conseguiram reconquistar a Faixa Oriental em 1777. No entanto, essa conquista foi em vão, visto que o Tratado de San Ildefonso, assinado no mesmo ano, confirmou a soberania portuguesa sobre todas as terras provenientes da sua expansão territorial, criando assim a maior parte das atuais fronteiras brasileiras.[47]

Em 1808, a família real portuguesa, fugindo das tropas do imperador francês Napoleão Bonaparte, que estavam invadindo Portugal e a maior parte da Europa Central, estabeleceram-se na cidade do Rio de Janeiro, que assim se tornou a sede do Império Português.[48] Em 1815, Dom João VI, então regente em nome de sua mãe incapacitada, elevou o Brasil de colônia a Reino soberano unido com Portugal.[48] Em 1809, os portugueses invadiram a Guiana Francesa (que foi devolvida à França em 1817)[49] e em 1816, a Faixa Oriental, foi posteriormente rebatizada para Cisplatina.[50]

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pra começar, o Brasil...

Amigos,

Durante o período da Copa do Mundo 2010, sugerimos àqueles que se consideram torcedores da Seleção de Futebol do Brasil, que conheçam um pouco mais sobre essa grande nação. Nada adianta defendermos nosso país de 4 em 4 anos, vestindo a camisa amarela e nos orgulhando de gritar o nome desse país, se no nosso cotidiano nada sabemos sobre sua grandeza. Essa é uma oportunidade para melhorarmos como cidadãos brasileiros de verdade.  Cada dia, durante a copa, aproveite e leia sobre o Brasil.

Movimento Brasil, quem conhece torce de verdade! (Adriano Goulart)

Tema de hoje... pra começar, o Brasil! (Fonte: http://www.wikipedia.com.br/) em: 28/05/2010



O Brasil, oficialmente República Federativa do Brasil,[9][10] é uma república federativa presidencialista localizada na América do Sul, formada pela união de 26 estados federados e por um distrito federal, divididos em 5 565 municípios. Faz fronteira a norte com a Venezuela, com a Guiana, com o Suriname e com o departamento ultramarino da Guiana Francesa; ao sul com o Uruguai; a sudoeste com a Argentina e com o Paraguai; a oeste com a Bolívia e com o Peru e, por fim a noroeste com a Colômbia. Os únicos países sul-americanos que não têm uma fronteira comum com o Brasil são o Chile e o Equador. O país é banhado pelo oceano Atlântico ao longo de toda sua costa norte, nordeste, sudeste e sul. Além do território continental, o Brasil também possui alguns grandes grupos de ilhas no oceano Atlântico como os Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha (território estadual de Pernambuco), Trindade e Martim Vaz, no Espírito Santo, e um complexo de pequenas ilhas e corais chamado Atol das Rocas (pertencente ao estado do Rio Grande do Norte).[11]

Com 8,51 milhões de quilômetros quadrados de área,[12] equivalente a 47% do território sul-americano, e com cerca de 190 milhões de habitantes,[2] o país possui a quinta maior área territorial do planeta e o quinto maior contingente populacional do mundo. O Brasil é o único país falante do português das Américas,[13][14] além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas do mundo, resultado da forte imigração vinda de muitos países.

O Brasil foi uma colônia do Império Português desde o desembarque de Pedro Álvares Cabral em 1500 até 1815, quando se tornou um reino unido com Portugal. Em 1822 o país se tornou independente, formando o Império do Brasil, época em que esteve sob a soberania da família imperial brasileira, um dos ramos da Casa de Bragança, por quem era governado desde 1500, no Brasil Colônia. Em 1889 torna-se uma república, embora a legislatura bicameral, agora chamada de Congresso, remonte à ratificação da primeira Constituição em 1824. Desde a proclamação da república brasileira em 1889, o Brasil tem sido governado por três poderes, o judiciário, legislativo e o executivo, em que o chefe do último, eleito a cada quatro anos pelo voto popular, é o presidente do Brasil.

Nona maior economia do planeta em paridade do poder de compra (2008) e maior economia latino-americana,[15] o Brasil tem hoje forte influência internacional, seja em âmbito regional ou global.[16] Em 2005, encontrava-se na 39ª posição entre os países com melhor qualidade de vida do planeta,[17] além de possuir entre 15 e 20% de toda biodiversidade mundial,[18] sendo exemplo desta riqueza a Floresta Amazônica, com 3,6 milhões de km², a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado. O Brasil é membro fundador da Organização das Nações Unidas, do G20, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas e é um dos países BRIC.

Capital Brasília

15°45′S 47°57′O
Cidade mais populosa São Paulo
Língua oficial Português[1]
Governo República federativa presidencialista
- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
- Vice-presidente José Alencar Gomes da Silva
- Presidente da Câmara dos Deputados Michel Elias Temer Lulia
- Presidente do Senado Federal José Sarney de Araújo Costa
- Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Antonio Cezar Peluso
- Número de ministérios 38
Independência de Portugal
- Declarada 7 de setembro de 1822
- Reconhecida 29 de agosto de 1825
- Descoberta 22 de abril de 1500
- Colônia 1500-1815
- Império 1822-1889
- República 15 de novembro de 1889
Area
- Total 8 514 876,599 km² (5º)
- Água (%) 0,65
Fronteira Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa (França), Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela
População
- Estimativa de 2010 192 924 506[2] hab. (5º)
- Censo 2000 169 799 170
- Densidade 22 hab./km² (182º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2009
- Total US$ 1,995 trilhão* USD (8º)
- Per capita US$ 10 296 USD (70º)
Indicadores sociais
- Gini (2008) ▼ 49,3[3] – alto
- IDH (2007) 0,813[4] (75º) – elevado
- Esper. de vida 72,4[5] anos (92º)
- Mort. infantil 19,3/mil nasc. (106º)
- Alfabetização 90,0[6]% (95º)
Moeda Real (BRL)
Fuso horário (UTC−4 a −2, oficial: −3.[7]
Hora atual: 11:12 a 13:12)
- Verão (DST) (UTC-4 a UTC -2[8])
Clima Tropical, subtropical, temperado, equatorial e semiárido
Org. internacionais ONU (OMC), Mercosul, OEA, CPLP, ALADI, OTCA, UNASUL, CI-A, UL e OIE.
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f

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Por que a biblioteconomia brasileira é envergonhada?

IBLIOTECONOMIA ENVERGONHADA**
[*Setembro/2009*]

*Eliane Serrão Alves Mey*

Revisão de: Marília Motta Ludgero da Silva (a quem agradeço as correções da
língua portuguesa e dos excessos).

A Biblioteconomia é das profissões mais antigas do mundo.

A primeira, certamente, foi a de tradutor, ou intérprete, quando os
agrupamentos humanos se comunicavam entre si, ou quando o tradutor, dentro
de um agrupamento, interpretava a vontade dos deuses. Aquela outra
profissão, dita mais antiga, corresponde ao surgimento de bens materiais e
valores individuais, não coletivos. Apenas a existência da posse e da
herança faz com que a mulher se torne propriedade de um indivíduo, e não
parte de um clã (1).

Quanto à antigüidade da Biblioteconomia, pode-se afirmar que seus
fundamentos permanecem semelhantes ao longo dos milênios, embora suas
técnicas, seus e quipamentos, a produção e o uso de seus instrumentos, seus
focos, seus usuários e seus estudos se hajam modificado com relativa
freqüência.

E como se pode definir Biblioteconomia? Alguma literatura sobre o assunto
(2), embora não amplamente revista e citada, permite resumir certas
definições. Encontram-se os seguintes pontos essenciais, que a constituem,
de modo geral: a) aquisição dos registros do conhecimento (desde a coleta de
materiais tangíveis à criação de acervos digitais); b) organização dos
registros do conhecimento (inclui análise, representação, criação de
instrumentos de análise e representação, estudos teóricos e práticos, os
mais variados); c) disseminação dos registros do conhecimento (abarca tanto
os instrumentos de disseminação como os estudos sobre os usuários dos
registros e outros aspectos teóricos e práticos).
Existem problemas iniciais com o termo Biblioteconomia, que se podem
explicar, mesmo que não justificar:

a) a raiz *biblio*, derivada de *biblion*, não significa absolutamente
livro; origina-se do grego, quando nem remotamente existia algo assemelhado
a um livro; porém, referia-se à cidade de Biblos, produtora do papiro,
material utilizado para escrita à época, em rolos (tipo barra de rolagem,
como diz Manguel (3));

b) a palavra grega *théke *significa "caixa"e, por extensão, qualquer
contêiner onde o material bibliográfico se encontre: estante, sala, edifício
(cf. Edson Nery da Fonseca (4));

c) os sufixos *-nomo*, *-nomia* e *-nômico* derivam-se do grego -*nomos, -
nomia, -nomikos*, e se aplicam a normas, regras, administração (por exemplo:
agronomia, economia).

Portanto, a grosso modo, pode-se dizer que, segundo sua origem
etimológica, a *Biblioteconomia* consistiria no conjunto de normas, regras
ou leis para locais onde se guardam registros do conhecimento, ou na
administração destes. Venhamos e convenhamos, uma definição muito pobre e
acanhada para uma profissão de tal importância, respeitada no mundo inteiro
(aqui já é outra conversa, à qual se espera chegar).

Talvez por sua origem etimológica, talvez pelas veneráveis instituições
físicas, marcos arquitetônicos de prestígio, poder e cultura das nações, a
Biblioteconomia continuou sempre, até o final do século XX, com sentido
geográfico, espacial, vinculado aos edifícios-bibliotecas (5). A Profa.
Cordélia Robalinho Cavalcanti, certa vez, disse que chamar os profissionais
da Biblioteconomia de bibliotecários corresponderia a chamar os médicos de
"hospitalários". (Durante a Idade Média, de fato, houve uma ordem monástica
e guerreira, de hospitalários, cujos mosteiros deveriam abrigar peregrinos,
doentes e feridos.) Assim, as bibliotecas, ao longo da História,
destinavam-se à guarda, preservação e, até mesmo, disseminação de objetos
físicos, tangíveis. Ou seja, um local *para onde* os usuários se deslocavam
(ainda que para tomar emprestados os documentos), e não *de onde* se
de slocavam os materiais até os usuários – função hoje exercida pelos
arquivos eletrônicos na rede mundial de computadores.

Por fim, do mesmo modo, devido talvez a suas origens etimológicas, a
Biblioteconomia caracterizou-se por conjuntos de normas, regras e, durante
algum período ao final do século XX, pela administração. Nada tão enganoso,
porque tais conjuntos de normas e regras mostram-se mais mutantes e mutáveis
do que as roupas no dia-a-dia. E Biblioteconomia não é administração, mas
esta se torna parte da multidisciplinaridade biblioteconômica.
Estaríamos, então, diante de uma área com nome falso? Erro de identidade?
Amnésia profissional?

A partir do avanço significativo da eletrônica, durante e após a Segunda
Guerra Mundial (uso bélico), até chegar ao uso institucional civil (décadas
de 1970 e 1980) e ao uso individual (décadas de 1980, 1990 e neste início de
século), formou-se um novo conceito, o de "ciência da informação", com
inúmeros significados. Cabe aqui dizer que, como a "informação" é uma
espécie de cortesã requisitadíssima, com uma corte numerosa e nenhum senhor,
torna-se quase impossível determinar-lhe as características. Ela sempre
muda, de acordo com o requisitante de seus favores no momento.


Lógico, hoje o mundo vive de informações. Mas será que estamos em uma
sociedade da informação? Não creio!

Bem, talvez o mundo viva de conhecimento. Será que estamos em uma sociedade
do conhecimento? Creio menos ainda!

Na verdade, a informação pura e simples, ou seja, o conjunto de signos que
possui algum sentido, é manipulada, vendida, difundida, de acordo com
interesses específicos, desde sua produção até seu consumo.
Há algumas semanas, por exemplo, avassalam-nos diariamente "informações
sobre a gripe H1N1", por meio de boletins, notícias, entrevistas,
publicidade, entre outros. Nenhum deles, porém, repasso u-nos informações
corretas e significativas. Se a mídia é contra o governo, apenas apresenta
as mortes, para subentender que o governo não faz nada. Se os entrevistados
são a favor do governo, tentam minimizar o quadro. Por um lado, fecham as
escolas; por outro, continua o campeonato brasileiro de futebol, com
milhares de pessoas concentradas em um estádio. Ouseja, uma quantidade
massiva de informações manipuladas, de pouca valia para nós, cidadãos
comuns. Sociedade da informação? Que falácia!

Da mesma forma, a "sociedade do conhecimento" faz-se para poucos.
Historicamente, a "sociedade agrária" fazia-se para os donos da terra, e não
para os servos-camponeses que nela trabalhavam; a "sociedade industrial"
fazia-se para os donos das indústrias, e não para os operários que nelas
trabalhavam; a "sociedade do conhecimento", ou a terceira onda de Toffler
(6), faz-se para os poucos que detêm a posse ou os direitos (patentes) sobre
o conhecimento e a informação, não para aqueles que com elas trabalham (um
químico em uma indústria não usufruirá de seu conhecimento do mesmo modo que
o conjunto de acionistas majoritários). Bill Gates talvez seja um dos únicos
no mundo a desfrutar de seu próprio saber, em meio a bilhões. Sociedade do
conhecimento? Mais uma falácia!

Como todas as falácias globalizadas, a Biblioteconomia e a Documentação
internacionais mergulha ram de cabeça na Ciência da Informação, esta área
nebulosa, no limiar de várias outras, que ninguém sabe exatamente o que é.

O tesauro da Unesco, de 1975 (7), também confuso, na era pré-internet
estabeleceu sutis diferenças entre "ciência da informação" e "ciências da
informação". A Biblioteconomia seria um termo específico (TE) para Ciências
da Informação e um termo relacionado (TR) à Ciência da Informação. A
literatura sobre o tema é vastíssima e não nos preocupamos em citá-la.
Destaca-se Buckland (8), em texto clássico, que distinguiu três tipos de
informação: "como processo", "como conhecimento" e "como coisa"

Parece bastante claro que a informação, usada por biólogos, estatísticos ou
jornalistas, por exemplo, serve de base para a elaboração de um conhecimento
e seu conseqüente registro – só se pode tornar acessível, atingir o fim
último de disseminação, a partir de seu registro, mesmo em ambientes
naturais. (Um jardim botânico se diferencia substancialmente de um bosque,
mesmo que ambos se mostrem indispensáveis à humanidade) Neste caso,
portanto, a informação seria o fundamento para a produção de conhecimento e
de registros do conhecimento. Nós, profissionais bibliotecários, também o
geramos, dentro de nossa área; por exemplo: uma análise sobre comportamento
dos usuários frente a catálogos automatizados, ou bibliotecas digitais.
Informação, neste caso, caracterizar-se-ia como alicerce, ou como informação
basilar.

Muito diferente apresenta-se a "informação" com a qual trabalhamos, que
organizamos e disseminamos, a matéria-prima da Biblioteconomia, da
Documentação e de todas as ciências afins. A propósito, Muela Meza (9) nos
denomina "profissionais da informação documental". Não há como confundir a
informação basilar com a informação matéria-prima, ou informação documental,
ou registro do conhecimento. Na verdade, produzimos meta-informação; isto é,
informações sobre informações documentais ou registros do conhecimento.
Existem, ainda, outros tipos de "informação", como os bits e bytes e outros
fenômenos físicos da ciência da computação e das telecomunicações, que nos
interessam apenas na medida em que afetam ou facilitam nosso trabalho.

Ao partir da leitura de alguns textos internacionais sobre formação em
Biblioteconomia (10), verificam-se dois pontos-chave: a
Biblioteconomia continua valorizadíssima no exterior e cada vez mais os
cursos se denominam Ciência da Biblioteca e da Informação [Library and
Information Science, ou LIS].

Um parêntese: há algumas décadas, existiam dois termos para
Biblioteconomia em inglês: *Librarianship** *[*librarian *= bibliotecário; *
-ship *= sufixo para profissão; donde, Profissão de Bibliotecário] e *Library
Science* [Ciência da Biblioteca]. Quando a Biblioteca deixou de ser
geográfica para abarcar, também, o intangível,
acrescentou-se*Information* [Informação]
à Ciência da Biblioteca, gerando a LIS, sem abandonar a *Library*.

Após o Protocolo de Bolonha (11), já implementado em alguns países europeus
(embora com inúmeras críticas e restrições), as universidades apresentam o
modelo idêntico ao brasileiro: graduação, mestrado e doutorado. Os
bibliotecários formam-se na graduação, com possibilidade de adquirir o
certificado por outras vias, como mestrado ou especialização em
Biblioteconomia (não em Ciência da Informação), após a graduação em outra
área. Ou seja, a Biblioteconomia tem características próprias, arcabouços
teórico e prático próprios, que exigem formação específica. O que não
significa uniformidade nos currículos.

A França revela-se um caso à parte, ao proporcionar formações diferentes
para tipos diversos de atuação, embora permaneça com a Biblioteconomia. Há
duas associações profissionais de bibliotecários franceses: associação dos
propriamente ditos e associação dos bibliotecários especializados e
documentalistas. Oferece também um número significativo de cursos de
pós-graduação voltados à área de tecnologia da informação e comunicação, ou
seja, ao sentido amplo de Ciências da Informação.

O que acontece, no Brasil, que torna a Biblioteconomia tão envergonhada? Os
bibliotecários não querem ser bibliotecários, mas "cientistas da informação"
(qual das informações?), ou documentalistas, ou profissionais da informação
etc. Por que não queremos ser "simplesmente" bibliotecários? Existe o
estigma da palavra biblioteca; existem as bibliotecas escolares e públicas,
regra geral precárias ao extremo. Essas não são causa, porém efeito, ou
melhor, sintomas de doença social. Bibliotecas ruins implicam descrédito e
menosprezo aos bibliotecários, criação de barreiras contra a leitura e
contra o uso coletivo do conhecimento, contra a possibilidade de opção por
alternativas e caminhos vários.

E como se demonstra este desprezo profissional no Brasil, esta gritante
baixa-estima? Não apenas por trabalhos sérios e científicos (ver a tese
de Tereza Walter (12), entre outros grupos de estudos e pesquisas), porém
desde os cursos de Biblioteconomia em si. Certos profissionais de outras
áreas, mesmo participantes da formação de bibliotecários, julgam-se
superiores e, mais grave ainda, os docentes bibliotecários os aceitam como
tal! Há cursos no Brasil que, de tão descaracterizados pela
pseudo-interdisciplinaridade, por preconceitos medianos e desrespeitosos ao
meio, entraram em colapso, em crise de identidade, originando conseqüências
catastróficas à profissão e aos profissionais. Os desdobramentos iniciam-se
pelo não reconhecimento da cientificidade da área. O que se torna muito
estranho, *mesmo*.

Nós, bibliotecários, há milênios indexamos, criamos classificações do
conhecimento, criamos linguagens documentárias e representação documental;
estudamos comunicação com os usuários, e, pelo menos durante todo século XX,
elaboramos e utilizamos dados estatísticos para avaliação de nossos
instrumentos e seu uso (Otlet já tratava da bibliometria e faleceu em 1944)
(13). Nada disso chegou junto com os computadores, ou com a análise de
sistemas, ou com bancos de dados. Ao contrário, os conhecimentos
biblioteconômicos tornaram-se subsídios para o desenvolvimento de conceitos
teóricos nas áreas computacionais, entre outras.

Fique bem claro que não tenho absolutamente nada contra a computação! Adoro
os equipamentos que facilitam nossa vida, cada dia mais práticos. Quem,
vinte anos atrás, enfrentou filas e mais filas de bancos, ou pagamentos em
carnê nas lojas, ou até cadernos de armazém, sabe o quanto vale um
caixa eletrônico! Nada de voltar à era pré-internet, ou ao início do século
XX, quando tínhamos varíola, gripe espanhola, tuberculose e outros males,
sem vacina alguma, ou sem possibilidade de cura. Nada de saudosismos
baratos! Os séculos XIX e XX têm importância histórica, social, filosófica,
de grandes mudanças e acomodações da humanidade, mas viver no século XXI é
muito melhor...

Nada disso, porém, nos impede de reconhecer que, mesmo mudada, a
Biblioteconomia continua aí, abrindo portas a todos os seres humanos, não
para uma "sociedade do conhecimento", mas para a transformaç� �o, o
crescimento, o aprimoramento ético e social de cada indivíduo.

Por isto, indago: por que a Conferência Geral da IFLA, o mais importante
evento biblioteconômico do mundo, com textos absolutamente essenciais para
conhecimento e atualização dos bibliotecários, não vale pontos, ou quase
nada, no conceito CAPES? Por que o CBBD [Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação] é desprezado pelos
docentes de Biblioteconomia, com mínimo comparecimento? (Parece que a CAPES
também não reconhece este congresso.) Por que temos cursos
"burocrático-contabilistas" (especialmente na pós-graduação), onde se conta
a produção docente em números? Alguém já se deu ao trabalho de investigar se
uma produção excessiva não é fruto do...

Adriano Goulart - Bibliotecário
Blog:
http://adrianoagr.blogspot.com
Twitter: www.twitter.com/adrianoagr

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Análise do discurso midiático da imprensa escrita frente a problemas de segurança pública em comunidades urbanas periféricas e a repercussão social de seus processos comunicativos.

 

Análise do discurso midiático da imprensa escrita frente a problemas de segurança pública em comunidades urbanas periféricas e a repercussão social de seus processos comunicativos.

Adriano Goulart 1

RESUMO:

O artigo busca observar o discurso midiático da imprensa escrita frente a problemas públicos de segurança em comunidades periféricas da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Trás contribuições da discussão sobre o papel social dos média, construção social da realidade e o conceito de acontecimento. Estuda o caso específico da cobertura do Jornal Estado de Minas sobre o acontecimento conhecido como "Toque de Recolher em Contagem", em que o período de observação foi de 06/04/2010 a 12/04/2010. Enfatiza o impacto e o comportamento social em relação a atuação jornalística.

Palavras-chave: discurso midiático, construção social da realidade, papel social dos média.



  1. Introdução:

"Hoje nós estamos acostumados a pensar que os indivíduos que aparecem em nossos televisores pertencem a um mundo público aberto para todos. Podemos sentir certo grau de familiaridade com as personalidades e os líderes políticos que aparecem regularmente na televisão e na mídia. Podemos até considerá-los amigos, e referimo-nos a eles com certa intimidade. Mas sabemos também que eles aparecem diante de milhares ou milhões de outros, que eles são acessíveis a muitos outros além de nós. E por isso, embora possamos ver e ouvir estas celebridades com certa freqüência, é muito pouco provável que alguma vez as encontremos no curso de nossas vidas cotidianas.' (THOMPSON, 2009)



Há também em nossos tempos uma aproximação excessiva entre os meios, ou um processo de complementaridade entre o conteúdo disponibilizado por esses dispositivos de forma que, aquilo que é veiculado em um programa televisivo ou de rádio em geral, é reapresentado daquilo que já foi disseminado em outras fontes, como a imprensa escrita, e vice-versa.

Dessa forma, o fenômeno colocado por Thompson anteriormente, da intimidade e referencialidade que é adquirida por certas celebridades em relação ao seu público, pode ser migrado e observado também nos jornais escritos, por exemplo. Dessa vez, não mais como uma celebridade em questão, mas com um peso institucional que usa do prestígio de seus articulistas e correspondentes, ou mesmo da atuação dos mesmos para reproduzir os acontecimentos estendendo seu pensamento e opinião diante de fatos e problemas públicos.

Identificados com estratégias discursivas e posições de determinados jornais, os leitores desses veículos tendem a referenciar suas posições sobre assuntos diversos baseando-se unicamente nas colocações desses grupos comunicativos, de certa forma, reproduzindo seu conteúdo e legitimando a forma com que as informações são colocadas ao público leitor.

Mas o que acontece quando determinadas informações construídas e disseminadas por essas mídias tidas como veículos de grande credibilidade não são necessariamente expostas com a devida problematização contextual? Como referenciar-se numa notícia veiculada num espaço de tempo determinado se ao analisarmos tais discursos, os mesmos apresentam desvios, omissões ou superficialidades? E qual o comportamento da sociedade que se vê revelada, em um problema público de segurança, na qual a construção da realidade tem como determinante a performance midiática dos veículos informacionais ocorrendo-se através da cobertura de jornais e dispositivos diversos, colocados numa ótica de concorrência midiática em que tudo é espetacularizado?

Nesse ensaio procuramos analisar a cobertura midiática da imprensa escrita de um jornal com grande circulação na região metropolitana de Belo Horizonte. O "Estado de Minas" dos Diários Associados, terá seu discurso observado frente a problemas de segurança pública em comunidades urbanas periféricas e a repercussão social de seus processos comunicativos. Como estudo de caso, observamos o acontecimento intitulado "Toque de recolher na cidade de Contagem (MG)' cuja cobertura do veículo em questão aconteceu entre os dias 06/04/2010 e 12/04/2010.



  1. Sobre o papel social dos média



Numa primeira observação, coloca-se em análise a representatividade dos veículos de comunicação no espaço social. Afinal, tais produtoras de informação podem ser visualisadas como apenas disseminadores de notícias e acontecimentos imprevistos? Ou essas agências são dotadas de intencionalidades pré-determinadas e funcionam como reprodutoras de uma ideologia ou hegemonia cultural?

Questionando-se o propósito da imprensa, a destinação dada aos seus conteúdos e a classe do público a quem os veículos se orientam, o professor 2José Marques de Melo, renomado pesquisador e líder-pioneiro dos estudos de jornalismo comparado no Brasil, citado por Erbolato, M, L., 1991, p.114, escreve:

"Nos países e regiões de baixo nível econômico e, consequentemente , de baixo nível cultural, a imprensa assume o papel de um meio de comunicação de elite, se comparado aos outros meios de comunicação social". "É o caso do Brasil e da grande maioria dos países do chamado Terceiro mundo, onde a leitura dos jornais, por exemplo, é feita regularmente apenas pelas classes abastadas e por setores da classe média." basta analisar a as estatísticas da UNESCO para chegar a essa conclusão". (ERBOLATO, 1991, p.114)

Isso repercute de forma integral na reflexão, uma vez que embora o público leitor interaja com a concepção da notícia, e nesse sentido, conforma ou não tais entendimentos, em geral o conteúdo e a estratégia discursiva utilizada pela mídia impressa vêm carregados de elementos alinhados a uma ideologia elitista e conservadora que congrega interesse dos produtores e patrocinadores dos veículos comunicativos. Mesmo apropriados de certa sutileza, os termos utilizados para veiculação das notícias apresentam muito da visão que é compartilhada sobre os assuntos por uma chamada hegemonia dominante.

Os estudos de Stuart Hall, coloca (MATTELART, 1995), sobre o papel ideológico da mídia e a natureza da ideologia representam um momento importante: Do lado da audiência, a análise de Hall definiu três tipos de decodificação: "dominante, oposicional e negociada". O primeiro corresponde aos modos de ver "hegemônicos", apresentados como "naturais, legítimos , inevitáveis, o senso comum de uma ordem social e de um universo profissional."

O segundo interpreta a mensagem a partir de um "outro quadro de referência" , de uma visão de mundo contrária (por exemplo, traduzindo o "interesse nacional" por "interesse de classe"). O código negociado é uma mescla de elementos de oposição e de adaptação, um misto de lógicas contraditórias que subscreve significações e valores dominantes, mas busca numa situação vivida em interesses categorias por exemplo, argumentos de refutação de definições geralmente aceitas.



  1. A construção social da realidade.

Ao pensarmos que na representação da sociedade, em que aparecem especialmente as rupturas, no eixo do tempo ou no campo social, (LUHMANN, 2005) afirma que de "forma correspondente, conformidade e acordo, repetição sempre das mesmas experiências e constância das condições gerais permanecem subiluminadas." e acrescenta que "prefere-se antes os distúrbios à ordem por força de uma habilidade profissional existente entre os realizadores midiáticos".

Para (TRAQUINA, 1999) "As notícias constituem uma narrativa representativa da cultura. Assim, as notícias ajudam-nos a compreender os valores e os símbolos com significado de uma determinada cultura." Citando 3Paillet, Marc (1985, p.168), Traquina lembra que "a notícia impressa não se parece nunca com o fato visto: as escolhas, as distorções, os múltiplos constrangimentos mais ou menos inevitáveis aparecem de modo evidente". Dessa forma, os jornalistas não são simplesmente observadores passivos, mas ativos no processo de construção da realidade.

Assim, a linguagem utilizada pelos veículos de informação e comunicação por conseguinte, segundo Coward &Ellis citado por Traquina (1999, p.124) é tratada como uma "representação, um reflexo do mundo real". Nisso, a "narrativa realista não parece ser a voz de um autor, ou melhor a sua fonte parece ser a uma realidade autêntica, que fala ao ouvinte. "



  1. Sobre a noção de acontecimento e a notícia



Acontecimento, segundo QUÈRÉ (2005), "não é só um facto no mundo, composto de dados actuais e susceptível de ser explicado causalmente ou interpretado à luz de um contexto. Produz-se contra toda expectativa ou previsão." Dessa forma, ele força a sociedade a olhar para o passado buscando valores e elementos que possam dar um parâmetro de interpretação para a nova ordem.

Um acontecimento inaugura um novo tempo. E nessa busca de entendimento sobre a nova ordem abre-se um campo de novas possibilidades até então não percebidas.

A mídia e os veículos de comunicação têm um papel fundamental nessa nova interpretação da realidade. Ela contribui disponibilizando a sociedade de elementos que favorecem a conexão entre o passado e o ocorrido para fins de restabelecer uma continuidade cognitiva dos fatos.

Para (TRAQUINA, 1999), "acontecimentos noticiáveis são aqueles que parecem interromper as fronteiras de um consenso. O consenso se baseia nos meios de ação legítima e institucionalizada."

Em alguns momentos, o enquadramento dado ao acontecimento pela mídia e a imprensa sugere possibilidades que na medida em que a sociedade culturalmente conforma, estabelece-se novos paradigmas, mas que via de regra, tem caráter conservador e tradicional. O enquadramento normalmente está associado a ideologia produtora da notícia. Ela e as ideologias sociais dominantes estão integralmente ligadas.

A mídia costuma revestir os acontecimentos de emocionalidade, o que constituem um de seus impactos principais. Essa especulação, completa (TRAQUINA, 1999) sugere que "a transmissão de acontecimentos os torna não só diferentes, mas principalmente mais importantes."

Especial atenção dá-se ao foco que o jornalismo dá as chamada "negatividade da notícia". Para (TRAQUINA, 1999) as notícias que apresentam elementos negativos como crimes, por exemplo, "envolvem o lado negativo de um consenso, visto que a lei, nesse caso, define aquilo que a sociedade julga ser tipo de ação Ilegítima" e tendem a conseguir mais audiência, uma vez que sua comunicabilidade ocorre-se sem grandes dificuldades. A sociedade conforma com mais facilidade a itens noticiosos desse perfil. Costuma-se inclusive já previamente ter-se idéia do roteiro dos acontecimentos e a função dos personagens no aspecto performático. Sua repetição costuma estar associada ao impacto na audiência.

Nesse contexto,

"na área das notícias de crime, os media parecem estar mais fortemente dependentes das instituições de controle do crime para as suas "estórias" do que praticamente em qualquer outra área. A polícia , os porta-vozes do Ministério do Inteior e os tribunais constituem um quase monopólio como fontes de notícias de crimes". (TRAQUINA, 1999, P.239)



  1. Análise da cobertura do Jornal Estado de Minas, dos Diários Associados no acontecimento que ficou conhecido como "Toque de Recolher em Contagem".

Observaremos a seguir a cobertura midiática jornalística do acontecimento em questão. Como referência, acompanharemos o discurso midiático escrito, que foi veiculado entre os dias 06/04/2010 e 12/04/2010. Período esse em que houve cobertura desse fato pela mídia televisiva, webjornalismo e sobretudo dos jornais impressos de toda a capital mineira.

Na terça-feira, 06/04/2010, o Jornal Estado de Minas veiculou sua primeira matéria sobre o caso, acompanhando já sua repercussão, uma vez que o acontecimento iniciou-se três antes.

Em sua Capa , a chamada era : "Tráfico desafia polícia em contagem." A informação complementar trazia : "A mando de traficantes, comércio e escolas não abrem as portas nos bairros Estrela Dalva e São Mateus, mesma com reforço policia. A ordem foi dada no sábado, depois da morte de dois homens acusados de roubo à mão armada e suspeitos de envolvimento com tráfico.

Nota-se que a princípio apresenta-se um problema de segurança pública em que o embate travado entre polícia e supostos traficantes da região no qual a astúcia dos bandidos colocara toda a eficiência da polícia em cheque e afetara toda população local.

Na mesma edição, na página 22, a manchete trazia meia página superior do jornal, em destaque no alto da página a palavra "MEDO", em caixa alta sugerindo o clima da proposta.

A matéria trazia uma foto central cujo enquadramento se dava em três viaturas da polícia no plano principal e ao fundo, lojas com as portas fechadas. O título: "Toque de recolher imposto por traficantes no Estrela Dalva e São Mateus, em Contagem, na Grande BH, desafia a polícia e mantém os moradores atemorizados desde a noite de sábado. ". Em destaque: "Bairros sem aula e comércio" com letras grandes.

O lead trazia as seguintes informações: "O Comércio não abriu a portas e nas salas de aula as carteiras permaneceram vazias no terceiro dia do toque de recolher imposto por traficantes nos bairros Estrela Dalva e São Mateus, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ordem foi dada no sábado, depois que a Polícia Militar encontrou os corpos de dois moradores do Estrela Dalva num matagal no Morro do Cabrito, no Bairro Arvoredo II. Segundo a polícia, Wanderson Roque Souza, de 22 anos, e Marvel Ferreira Soares, de 26, tinham passagem pela polícia por roubo à mão armada e eram suspeitos de participação no tráfico de drogas na região".

Nota-se na apresentação, já uma preocupação em obter a versão policial sobre o contexto, que prontamente coloca os jovens citados como meliantes com antecedentes criminais. Versão essa que não será confirmada futuramente.

Os parágrafos seguintes apresentam uma série de informações que contextualizam a notícia e o propósito da matéria, como segue:

Parágrafo 2:

1 – Traficantes ordenaram que o comércio fechasse as portas no sábado, 01/04. (Informação da polícia) / 2 - No domingo, 02/04, um ônibus da linha 2810 (que liga Estrela Dalva ao São Mateus) foi incendiado por quatro homens. (Informação da polícia) / 3 – Esses homens deixaram um bilhete próximo ao coletivo, informando que os ataques e o toque de recolher só iriam terminar quando as mortes de Wanderson e Marvel fossem esclarecidas. (Informação da polícia)

Parágrafo 3:

1 – Cemig esteve no local para fazer reparos. (Informação da polícia) / 2 – Moradores não se arriscam a falar sobre o assunto. (Apuração do jornal) / 3 – Morador "Não identificado" confirmou que houve uma ordem dos traficantes para que o comércio , as escolas e o posto de saúde não abrissem enquanto não fosse dada autorização. (Apuração do jornal)

Parágrafo 4

1 – Escola Municipal Wancleber Pacheco e Escola Estadual Maria de Sales não funcionaram. (Apuração do Jornal) – Obs: Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Contagem, a Escola Municipal Wancleber Pacheco fica no bairro Tijuca, e não nos bairros anunciados como vítimas do toque de recolher inicialmente. / 2 – Moradores afirmam que traficantes disseram que as pessoas mataram os jovens foram os policiais. (Apuração do jornal). / 3 – Comerciante (não identificado) afirma que os dois rapazes mortos "eram pessoas trabalhadoras e muito queridas no bairro". (Apuração do jornal)

Parágrafo 5

1 – Polícia dobrou o policiamento nos dois bairros após o toque de recolher (Informação da polícia) / 2 – Além do policiamento comunitário, se juntaram a Companhia de missões especiais, Grupo especializado de policiamento em Áreas de Risco da PM, Grupo Especial de resgate, polícia civil. (Informação da polícia) / 3 – Polícia diz que "tenta garantir a segurança dos moradores, para que a rotina volte ao normal"

Parágrafo 6

1 – Polícia afirma que já identificou os traficantes – "Já estamos no encalço dos suspeitos" / 2 – Polícia afirma não divulgar os nomes para não atrapalhar nas investigações / 3 – Delegacia de homicídios afirma que "esclarecerá o caso nas próximas horas"

Nota-se que no primeiro dia de apuração, há um interesse em compreender e esclarecer a situação e apresenta um discurso que busca atender uma necessidade imediata de resolução do caso. No entanto, a versão oficial da polícia é a de que os jovens mortos (motivos do toque de recolher) tinham antecedentes criminais, mas a população parece transparecer que os jovens não tinham esses problemas com a justiça e contrariamente eram jovens considerados "queridos" pela comunidade. No entanto, privilegia-se a versão da polícia.

Na quarta-feira, 07/04/2010, o jornal cobria novamente o acontecimento, que ainda não havia sido solucionado. Em sua página 25, na seção "Gerais", meia página inferior foi dedicada ao assunto. Em destaque no alto da notícia a chamada "toque de recolher". Duas foto centrais chamavam atenção a matéria e o enquadramento da foto 1 apresentava uma senhora idosa com a mão na cabeça (Legenda informa que ela tem dores no corpo, tem 91 anos e achou a unidade "lacrada"), sem informar qual unidade seria essa. A foto 2 trazia em seu enquadramento uma rua com várias viaturas da polícia. O título trazia: "No quarto dia do terror imposto por bandidos em dois bairros de Contagem, lojas e escolas não abrem e PM reforça a vigilância". Em destaque: "Até posto de saúde é fechado pelo tráfico".

O lead da notícia era: "Moradores dos bairros São Mateus e Estrela Dalva na Grande BH, viveram ontem mais um dia de medo devido ao toque de recolher imposto por traficantes. O comércio não abre as portas desde sábado e pelo menos mil alunos da rede municipal de ensino estão com as aulas suspensas. O posto de saúde também foi fechado ontem. Nas rodas de conversa nas praças e nas esquinas, o assunto é o terror espalhado pelos traficantes. Ontem, o secretário municipal de Educação Lindomar Diamantino, percorreu duas escolas municipais e pediu que a Polícia Militar reforçasse a segurança nas Instituições para que as aulas tenham início hoje. Mesmo com medo, alguns professores teriam se comprometido em retornar as salas de aula. "

Na sequência, o clima de "terror" é enfatizado:

Parágrafo 2

1 – Vaivém de policiais armados lembra 'cenário de guerra." (Não houve apuração de sequer um embate entre a polícia e os supostos traficantes) / 2 – Moradores suspeitos são abordados (Apuração do jornal) / 3 – Moradores vêem a movimentação das janelas de suas casas. (Apuração do jornal) / 4 – Dois ônibus foram depredados e um incendiado ontem. (A apuração policial constatou que embora os incidentes tenham de fato acontecido, apenas um deles aconteceu realmente na região do acontecimento em questão. Houve então, uma apropriação da notícia no sentido de ampliar a tese de terror. ) / 5 – Traficantes teriam deixado um bilhete informando que o toque de recolher só acabaria quando as pessoas que mataram os dois jovens forem presos. (Informação policial)

Parágrafo 3

1 – Polícia informa que já tem o nome de 4 suspeitos de impor o toque de recolher. / 2 – Polícia aguarda emissão de mandado de buscas.

Parágrafo 4

1 – No quarto dia do toque de recolher, comerciante (não identificado) afirma que só vai abrir as portas quando os traficantes autorizarem. (Apuração do jornal) / 2 – Uma mulher (não identificada) diz que "já pensa em se mudar" "Aqui a gente não tem paz". (Apuração do jornal)

Parágrafo 5

1 – Posto de saúde tem os portões trancados (Apuração do jornal) / 2 – Senhora (não identificada) pergunta: "até quando isso vai durar?" (Apuração do jornal) /

Parágrafo 6

1 – O jornal retoma a apresentação dos motivos do acontecimento.

No segundo dia da cobertura, o jornal ainda privilegia a informação oficial, e adota uma estratégia de apresentar entendimentos de populares. O fato de alguns moradores não aceitarem se identificar favorece a proposição do jornal de expressar o ambiente de medo. Agora a polícia afirma e os moradores não se identificam.

Na quinta-feira, 08/04/2010, quinto dia da situação, o Jornal Estado de Minas trouxe em sua capa uma chamada na lateral esquerda inferior com destaque "Medo em Contagem – Comércio e serviços públicos fecham pelo quinto dia seguindo em três bairros de Contagem, mesmo com a cavalaria da PM reforçando operação contra o toque de recolher imposto por traficantes".

Na página 24 do caderno "Gerais", novamente meia página superior é dedicada ao assunto. Em destaque no alto da notícia a chamada "Domínio do Tráfico". Duas fotos laterais – 1 grande e outra pequena – traziam em seu enquadramento 1 (foto grande) : Cavalaria da polícia em uma rua do bairro, ao fundo, espaços com portas fechadas. (na legenda da foto: Cavalaria da Polícia Militar reforçou ontem o policiamento ostensivo para garantir a segurança à população nas ruas do bairro Estrela Dalva"). No enquadramento 2: Presença da polícia num espaço público, aparentemente uma praça (na legenda – Agentes ocuparam também o Bairro Tijuca, onde lojas foram fechadas) .

No título da matéria: "PM monta operação de guerra, ocupa ruas e becos, mas não consegue pôr fim ao fechamento, pelo quinto dia consecutivo, do comércio e de serviços públicos em três bairros de Contagem".Em destaque: "Toque de recolher se alastra".

No lead: "A Polícia Militar armou uma operação de guerra para tentar por um fim ao toque de recolher imposto sábado por traficantes nos bairros São Mateus e Estrela Dalva , em Contagem, na Grande BH. Na operação , homens da cavalaria e do Batalhão de Policiamento de eventos se juntaram ontem ao efetivo do tático móvel, à Companhia de Missões Especiais, ao Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco e ao Grupo especial de Resgate. Quem entra e sai dos bairros afetados é abordado. As ruas e becos foram tomadas por policiais fortemente armados."

Parágrafo 2

1 – Comerciantes do bairro tijuca fecham as portas com medo de retaliações. (Apuração do jornal – nota-se que não houve nenhum incidente nesse bairro.) / 2 – Possibilidade de acontecer o toque de recolher nos bairros Confisco e Pedra Azul (Apuração do jornal) / 3 – Polícia prende um suspeito de ter incendiado o ônibus no domingo. (Informação policial)

Parágrafo 3

1 – Escolas e posto de saúde não funcionam no quinto dia consecutivo. (Apuração do jornal) / 2 – Comerciante (não identificado) diz que perdeu R$20,000 em frutas e hortaliças. (Apuração do jornal) / 3 – Morador (não identificado) afirma que para fazer comprar, tem de ir a outras regiões de Contagem. (Apuração do jornal)

Parágrafo 4

1 – Comerciantes afirmam que só vão abrir as portas sob autorização dos traficantes (Apuração do jornal) / 2 – A PM afirma ter o nome de suspeitos de comandarem o tráfico de drogas

Parágrafo 5

1 – Um dos supostos envolvidos seria um adolescente de 15 anos. (Apuração do jornal) / 2 – A polícia afirma garantir a segurança dos comerciantes, mas estes insistem em não abrir. (Informação policial) / 3 – A polícia afirma que irá fazer um trabalho de prevenção com os moradores logo que a situação for normalizada.

Parágrafo 6

1 – Pais de alunos de escolas municipais não mandam os filhos para as aulas, mesmo com a garantia de segurança. (Apuração do jornal) / 2 – Professores das escolas locais em reunião afirmam só voltar as aulas na próxima segunda feira. (Apuração do jornal) / 3 – Moradora (não identificada) diz: "A gente não sabe se pode ocorrer um tiroteio a qualquer momento. Vou aguardar as coisas melhorarem para o meu filho voltar a estudar". (Apuração do jornal) / 4 – O jornal retomou a apresentação dos motivos do acontecimento do dia 06/04. / 5 – Ivan Vieira de Sá, 18 anos, foi autuado por porte ilegal de munição, apontado em denúncias anônimas como homem que incendiou o coletivo no domingo. (Informação policial)

Parágrafo 7

1 – Prefeitura de Contagem remanejou médicos, enfermeiros e auxiliares para unidades de saúde de bairros próximos. (Apuração do jornal) / 2 – Cartazes com informações sobre o atendimento de saúde foram distribuídos (Apuração do jornal). / 3 – Secretaria de Estado de Defesa social divulgou nota oficial, afirmando que as áreas de inteligência estão em processo de investigação para pro fim ao toque de recolher.

Nota-se que a partir desse dia, já há uma repercussão do acontecimento cujo comportamento das comunidades vizinhas foi afetado. A reportagem já demonstra certa inquietação com a situação. Embora, de fato concreto, apenas o acontecimento do ônibus incendiado tivesse realmente ocorrido e felizmente sem vítimas, a população, provavelmente alardeada pelo clima tenso provocado pela presença ostensiva da polícia e assustada com a cobertura da mídia, que repetidas vezes propõe os termos "terror" e "medo", adota um comportamento de prudência e reproduzem o clima construído pela imprensa, fechando suas portas. Dessa forma, geograficamente a área de abrangência do toque de recolher se amplia sem nenhum ato de violência, ou imposição de traficantes confirmados. Percebe-se aqui uma construção da realidade que incide diretamente no comportamento da população.

Na sexta-feira, 09/04/2010, a cobertura continua com a manutenção da estratégia espetacularizada. A capa veicula uma chamada na parte inferior – "Medo em Contagem: PM prende um dos suspeitos de ordenar toque de recolher". Em seu caderno "Gerais", na página 28 novamente utiliza-se de meia página superior cujo destaque no alto da notícia lembra o "toque de recolher". Como elementos visual, uma foto lateral, no qual o enquadramento focaliza um policial de costas e viatura da PM. Ao fundo, lojas com as portas fechadas.

Como título: "Acusado de incendiar ônibus e impor fechamento de lojas e serviços públicos em três bairros de Contagem, jovem é detido e nega crime. PM investiga assassinatos e prefeitura exige soluções". Em destaque: "Polícia prende suspeito".

O lead na matéria apresenta: "A Corregedoria da Polícia Militar instaurou inquérito para apurar o suposto envolvimento de PMs no assassinato de dois jovens no Morro do Cabrito, no Bairro Arvoredo II, em Contagem, na Grande BH. Os crimes teriam motivado o toque de recolher imposto há seis dias por traficantes de drogas nos bairros Estrela Dalva, São Mateus e Tijuca, exigindo a apuração dos crimes, fechamento do comércio e serviços públicos".

Na sequência: Parágrafo 2

1 – Houve comentários sobre a participação de militares no homicídio dos jovens (Apuração do jornal) / 2 – Comando da Polícia resolveu apurar, mesmo sem haver denúncia formal. (Informação policial) / 3 – Segundo comandante, "acusações sem fundamento". (Informação policial)

Parágrafo 3

1 – Polícia prende suspeito de ter incendiado um ônibus (Informação policial)

Parágrafo 4

1 – Com o suspeito foi apreendido munições de calibres 380 e 9 mm. (Informação policial)

Parágrafo 5

1 – Polícia mantém sua tropa na região do Estrela Dalva , abordando suspeitos (Informação policial)

Parágrafo 6

1 – Prefeita de Contagem, Marília Campos, reuniu-se com os comandos das policiais civil e militar, exigindo uma resposta imediata para os problemas. (Apuração do jornal)

Parágrafo 7

1 – De três escolas municipais, uma continua fechada por causa do toque de recolher. (Apuração do jornal). Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Contagem, nos bairros afetados diretamente só há uma escola municipal, no bairro Tijuca. As outras são escolas estaduais.

A cobertura desse dia trouxe elementos reveladores da situação, que foi o reconhecimento por parte do Comando da Polícia da existência real de denúncias sobre a participação do seu efetivo na morte dos dois jovens, que seriam a motivação para a imposição do toque de recolher. Interessante o fato de que a abordagem aos moradores "não identificados" já não aparece na cobertura jornalística. O cenário de entendimento do acontecimento gera outro universo de possíveis com a abertura de diligência da polícia sobre a participação dos policiais. Note-se também que mesmo com quase uma semana da situação, os supostos traficantes que impuseram o toque de recolher ainda não foram anunciados e os detidos devidamente apresentados.

A estratégia midiática de colocar a PM como fonte primeira de elucidação de um problema de segurança pública esbarra na contextualização de um Estado ausente e ineficiente frente a uma situação inusitada e completamente inesperada. Rapidamente utiliza-se de uma tentativa de resposta retórica, que em médio prazo é confrontado com uma prática ínfima de presença em comunidades não elitizadas.

No sábado, 10/04/2010, o jornal veicula na página 22, meia página superior no qual a chamada ainda é o "toque de recolher". Duas fotos centrais. Uma Foto grande e outra pequena. Enquadramento foto 1 : Policias de costas. Ao fundo, lojas com as portas fechadas (Legenda da foto – apesar do patrulhamento ostensivo no Bairro Tijuca, na Grande BH, o comércio não abriu as portas). Enquadramento foto 2: Rapaz escrevendo a palavra paz numa rua. Ao fundo, aparentemente uma loja com as portas fechadas. (legenda: Pastor Luiz Paulo Terrinha pinta a palavra paz em calçado do bairro).

Com o título: "Comércio, escolas e postos de saúde de três bairros em Contagem continuam fechados, mesmo com megaesquema que envolveu 240 policiais militares e civis. Treze suspeitos foram presos". Em destaque: "Operação não surte efeitos"

No Lead: "Uma megaoperação das polícias Civil e Militar na manhã de ontem, para prender suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, homicídios e outros crimes, não foi suficiente para resgatar a tranqüilidade nos bairros Estrela Dalva, São Mateus e Tijuca, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Há uma semana, traficantes determinaram o toque de recolher e mesmo com a prisão de 13 suspeitos com comércio e unidades de atendimento à população , como postos de saúde e escolas , permanecem sem funcionar ".

Parágrafo 2

1 – O toque de recolher teria sido motivado pelo assassinato de dois rapazes, crimes atribuídos a policiais militares e que levaram a corporação a abrir inquérito. (Apuração do jornal) / 2 – Polícias fazem ação envolvendo 240 militares e policiais civis. (Informação policial)

Parágrafo 3

1 – Comboios com policiais foram diretos a casa dos suspeitos. (Informação policial) / 2 – Presos foram apresentados a imprensa no DI. (Informação policial) / 3 – Polícia não aponta qual seria a real participação de cada um nos últimos acontecimentos (Apuração do jornal) / 4 – Apenas 3 estariam presentes na ação do incêndio ao ônibus (Apuração do jornal)

Parágrafo 4

1 – Comerciante é advertido pelos policiais por ter colocado faixa em seu estabelecimento com "entendimento contrário" ao dos policias (Apuração do jornal) / 2 – Pastor evangélico organiza uma marcha pela paz, sem data definida, na região (Apuração do jornal)

Parágrafo 5

1 – Pastor e fieis de Igreja Evangélica escreve palavras de paz (Apuração do jornal) / 2 – Polícia afirma que vai continuar na região (Informação policial)

Parágrafo 6

1 – Policia confirma que há denúncias a participação de policiais na morte de jovens que teriam motivado o toque de recolher. (Informação policial) / 2 – Delegada conclama a população a se manifestar através do disque-denuncias 181 (Apuração do jornal)

A análise do noticiário desse dia mostra-nos o discurso reconhecido como oficial apresentando contradições. Embora a ação policial tivesse sido divulgada como "megaoperação", e seu resultado fora a detenção de 13 pessoas, o incômodo social não havia sido resolvido. A polícia também reconheceu que dos mesmos, somente 3 tinham alguma ligação com o caso, através do episódio do incêndio do ônibus.

Nota-se também uma mudança de postura em relação a comunidade local por parte da mídia, que embora ainda sofresse com o toque de recolher, não era mais apresentado como "não identificado". A presença de nomes como o do 'pastor evangélico que pintava palavras de paz na calçada" revela a existência de talvez uma mínima organização local, com lideranças públicas, conscientes, e contrarias a proposição de ser apresentada como uma comunidade carente, pobre e amedrontada.

No Domingo, 11/04/2010, O Jornal Estado de Minas busca elementos que configurassem uma retrospectiva da semana. Dessa vez, apresenta uma foto na Contra Capa de sua edição – Nela, uma Legenda que informava: "Toque e recolher – pão, leite, feijão, verduras e remédio. Tudo isso e muito mais está em falta , há uma semana, para cerca de 60 mil moradores dos bairros Estrela Dalva, Tijuca e São Mateus, em Contagem, na Grade BH. O desabastecimento geral é em função de um toque de recolher imposto por traficantes da região, e mesmo com a presença ostensiva da PM, nenhum estabelecimento comercial abriu as portas, nem mesmo igrejas e lojas de jogo de bicho. Amedrontada a população só fala sem revelar a identidade").

Percebe-se que nessa apresentação, o jornal retoma o caso sem explicar os motivos que a princípio levaram ao problema de segurança pública e nem ao menos sem apreciar o envolvimento da polícia contraditório no caso.

Na segunda-feira, 12/04/2010, a resolução do caso. Capa com chamada lateral: "Violência: Depois de 9 dias , comércio pode voltar a abrir em Contagem – Moradores dos bairros São Mateus, Estrela Dalva e Tijuca dizem ter recebido informação de que toque de recolher imposto dia 3 por traficantes deve ser suspenso hoje. Policia militar mantém efetivo reforçado na região."

Dessa vez, em seu caderno "Gerais", na página 23, o jornal utiliza-se de apenas ¼ da página superior direita para a matéria e coloca chamada "população refém".

Uma foto lateral é apresentada cujo enquadramento: Viatura da polícia em rua do bairro com as pessoas olhando para viatura (legenda : Carro policial fez patrulhamento ontem no Aglomerado Recanto da Pampulha, no Bairro Estrela Dalva).

O título trás: "fechados há nove dias, por ordem de bandidos, lojas, escolas e postos de saúde reabrem hoje, em três bairros de Contagem." Em destaque: "Tráfico suspende toque de recolher".

No Lead: "Depois de nove dias de toque de recolher imposto por traficantes e o cerco geral da Polícia Militar, lojas, bares, oficinas , escritórios, escolas e postos de saúde voltam a funcionar hoje nos bairros São Mateus, Estrela Dalva e Tijuca, em Contagem, na Grande BH. Durante esse período, mais de 60 mil moradores só saíram para o trabalho, sendo obrigados a viajar peara regiões vizinhas para comprar comida e remédios. Mesmo com a presença ostensiva de policiais militares durante o dia e a noite, comerciantes não se arriscaram a abrir ar postas. A ação seria em represália ao assassinato de dois jovens."

Parágrafo 2

1 – comércio não funcionou depois da morte de dois jovens. (Apuração do jornal)

Parágrafo 3

1 – Este toque de recolher foi o mais prolongado da região metropolitana de BH (Apuração do jornal) / 2 – Polícias fez patrulhamento e rondas durante toda a semana, mas ninguém foi preso. (Apuração do jornal) / 3 – Apenas algumas Igrejas Evangélicas e Católicas abriram as portas (Apuração do jornal)

Parágrafo 4

1 – Segundo moradores, circulou uma informação de que traficantes suspenderiam hoje o toque de recolher (Apuração do jornal) / 2 – Jovem disse que tem de ir de ônibus ao bairro Confisco para comprar alimentos. (Apuração do jornal) / 3 – Segundo moradora "o problema aqui é que ninguém confia na proteção da policia e ela (a polícia) , muitas vezes não é nem um pouco simpática. (Apuração do jornal)

Nesse último dia de cobertura do "toque de recolher", a estratégia do veículo de comunicação foi a de propor uma espécie de balanço do acontecimento. Dessa vez, ela estabelece um discurso mais equilibrado no sentido de buscar uma suposta resolução do conflito. No entanto, ao apresentar uma síntese dos fatos, ela omite mais uma vez a problematização do caso, garantindo assim um desfecho simplificado do problema e sobretudo, o impacto que sua cobertura teve principalmente na população local.





  1. Conclusões



Procuramos refletir nuâncias relacionadas a cobertura midiática frente a problemas públicos de segurança. Nessa observação específica, a linguagem utilizada apresentou elementos que confirmam a fala de Pailet, quando adverte que a notícia impressa não se parece nunca com o fato visto. No entanto, a construção da realidade social e o tratamento dado aos fatos pelos profissionais da comunicação responsáveis, frente ao público leitor têm grande relevância no comportamento da comunidade. A mesma tende a referenciar-se na cobertura jornalística com fins de interpretação dos fatos e reintegração da continuidade temporal cognitiva. Portanto, a mídia não determina como será a atuação das pessoas, mas pauta caminhos possíveis de interpretação, em geral favorecendo a uma ideologia muito específica e mercadológica de orientação dos fatos.

Transparece-nos ao decorrer dos dias, elementos do discurso que buscam reforçar conceitos pré-existentes de sociedade e seus agentes, como na fala da polícia colocada como elemento de credibilidade intocável, mas que ao se deparar com situações internas contrárias a esse mecanismo (como exemplo, o envolvimento dos policiais no contexto do problema), omite-se ou ignora-se o acompanhamento no novo fato. O uso de termos como "aglomerado", "becos" "medo", "terror" garantindo a ambientação da proposta e o lugar de comunidades periféricas no entendimento social, e a afirmação inicial de que os jovens em que a polícia afirma ter envolvimento com o crime, mas que não são confirmados, no entanto reforçam a tese da manutenção de uma ordem social não analisada e com a problematização omitida durante o percurso.

À sociedade que conforma e legitimam esses entendimentos, sobretudo as comunidades próximas ao local do acontecimento e mais diretamente afetadas pela cobertura midiática restam-se a convivência com a repercussão que tal noticiário propõe. Bairros a partir daí estereotipados pelo fator violência, medo e terror. O reforço de elementos negativos, que no entendimento de uma cultura elitista, desloca o foco de seus problemas como de segurança pública para comunidades periféricas e garante seu restabelecimento nesses termos, com "bons" e "maus" bem definidos no contexto, mesmo sem a devida apreciação.

Comunidades essas também, que reclamam por não ver suas expressões culturais e sociais positivas acompanhadas com o mesmo interesse pela mídia e a sociedade como um todo. No estudo do caso em questão, não houve ponderações futuras após o ocorrido de como os moradores se colocaram após o término do toque de recolher. Houve manifestações? A polícia revelou ou prendeu os supostos traficantes que impuseram o toque? E a presença de policiais no crime dos dois jovens, que motivou a situação foi apurada ou veio a público? Infelizmente nada foi noticiado até o momento.



  1. Referências



ARMAND E MATTELART. Michele. Indústria Cultural, ideologia e poder, in.: Histórias das Teorias da comunicação . p.73 a 111 - 3º ed. 1995


ERBOLATO, Mario L. As categorias do jornalismo. In. Técnicas de codificação em jornalismo , p.26 a 44, 53 a 78 e 240 a 251 - 5º ed. 1991

Jornal Estado de Minas. Belo Horizonte, 2010. Caderno "Gerais". (06.abr.2010 a 12.abr.2010)

LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: (s.n), 1987. 2.ed. p.16-44. (série princípios)

LUHMANN, Niklas. A construção da realidade. In.: A realidade dos meios de comunicação. São Paulo: Paulus, 2005. p.132-144


QUÈRÉ, L. Entre o facto e o sentido: a dualidade do acontecimento. Lisboa: Trajectos, 2005. p.59-75, (n.6)


THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade:uma teoria social da mídia. Petrópolis, Vozes, 2009. 261p.


TRAQUINA, Nelson (Org.). Jornalismo: questões, teorias e estórias. (s.l):veja, 1999. 358p.

1 Especializando do Curso de Pós Graduação em Comunicação: imagens e culturas midiáticas da UFMG -

  Bacharel em Biblioteconomia pela UFMG

2 José Marques de Melo. Comunicação, opinião e desenvolvimento. Petrópolis, Editora Vozes ltda.

3 Paillet, Marc. Jornalismo: 4º poder, p.154




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