quinta-feira, 30 de abril de 2009

MANIFESTO EM PROL DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES TEVE BOA RECEPTIVIDADE EM MINAS

 Na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Livro (23 de abril), o Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (CRB-6) realizou uma série de atividades, com o intuito de divulgar o Manifesto em prol das Bibliotecas Escolares, elaborado pelo Sistema CFB/CRBs.

Em Belo Horizonte, o documento foi entregue a todos os partidos políticos, à Secretária de Educação do Município, Macaé Maria Evaristo, e a parlamentares. Além disso, o Manifesto e folder que divulga o Projeto Mobilizador foi enviado para escolas estaduais e municipais, conselhos estadual e municipais de educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Unidime) e Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed).

O CRB-6 também afixou, em escolas municipais e estaduais da Capital, de Lavras e de Formiga, faixas que fazem referência ao Dia Mundial do Livro e ao Manifesto. A campanha em prol das bibliotecas escolares foi ainda tema de entrevista com a presidente do CRB-6, na TV UFMG (assista em http://www.ufmg.br/online/tv/arquivos/011726.shtml - o vídeo funciona melhor se usado o navegador Explorer).

"A recepção ao Manifesto foi excelente em todos os lugares", relata Kátia Pacheco, ao contar que a secretária de educação de Belo Horizonte prometeu apoio ao movimento e sugeriu que o Conselho procure envolver também a área de Cultura.

O deputado estadual Adelmo Carneiro Leão (PT) já havia se comprometido a pedir oficialmente à Assembléia Legislativa de Minas Gerais a realização de audiência pública, para pôr o assunto em debate no âmbito do Estado. E o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) prometeu solicitar audiência pública na Comissão de Educação na Câmara dos Deputados.

O CRB-6 ainda aguarda audiência com a Secretária Estadual de Educação, Vanessa Guimarães Pinto, para fazer a entrega do Manifesto.

Apoio

O Manifesto e as iniciativas do CRB-6 – que se somam a ações de todo o Sistema CFB/CRBs – têm recebido manifestações de apoio dos bibliotecários mineiros. "Concordo plenamente com este Manifesto", afirma a bibliotecária Rosangela Madeira, em correspondência ao grupo de discussão mantido pelo CRB-6. "Não tem como um profissional bibliotecário para avaliar este conhecimento. Já está na hora de reivindicar os nossos direitos nas bibliotecas escolares", completa.

Já Márcia Martins, bibliotecária escolar da rede municipal de ensino de São Lourenço, no Sul de Minas, formada pelo Centro Universitário de Formiga, parabenizou a equipe do Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª região pela iniciativa em prol das bibliotecas escolares. "A biblioteca escolar é o berço, o coração de uma escola. Incentivar o hábito da leitura de forma prazerosa começa com crianças, desde as séries iniciais, e é preciso que este trabalho seja bem feito para formar leitores ativos e presentes na biblioteca. Parabéns! Abraço com vocês esta causa", diz ela em mensagem eletrônica enviada ao Conselho.

"Ficamos felizes com a repercussão, pois sabemos da importância da biblioteca escolar e queremos trabalhar para que a sociedade reconheça, cada vez mais, o papel fundamental do bibliotecário", comenta Kátia Pacheco.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

UNESCO LANÇA BIBLIOTECA MUNDIAL NA INTERNET

Um acervo raro, espalhado por 32 bibliotecas de 19 países, está agora na internet. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) lançou ontem, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial (World Digital Library, WDL), um acervo literário e artístico online disponível em português e em outras seis línguas. A WDL é, na realidade, uma midiateca e tem até agora 1,4 mil objetos digitalizados, entre livros raros, manuscritos, cartas, filmes, gravações sonoras, ilustrações e fotos.
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O acervo foi reunido com contribuições de bibliotecas nacionais e instituições culturais de países como Brasil, EUA, Uganda, Iraque, China, França e Rússia. No acervo estão antigas escrituras chinesas, manuscritos científicos árabes e exemplares raros, como Bíblia do Diabo, do século 13. O Brasil contribuiu por meio da Biblioteca Nacional. Além de obter informações gerais sobre o objeto, o pesquisador pode acessar links com informações completas, fazer download das peças e convertê-las em PDF.
 
A WDL, mais tarde, absorverá parte do conteúdo da Europeana, que dispõe de 4,6 milhões de livros, mapas e fotografias, e da Google Book Search, que já conta com 7 milhões de obras digitalizadas. Segundo James H. Billington, diretor da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e idealizador do site, ele vai ampliar a diversidade do material cultural disponível na web. Além disso, permitirá acesso a obras antes restritas a bibliotecas inacessíveis ao grande público. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 
Adriano Goulart - AGR -
email:adrianoagr@yahoo.com.br
Visite o meu Blog: http://adrianoagr.blogspot.com
 
 
 
 
 


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segunda-feira, 23 de março de 2009

ARTIGOS SOBRE BIBLIOTECONOMIA


O bibliotecário e a era do conhecimento Artigo de Vera Stefanov e Levi Bucalem Ferrari
"Hoje, no Dia do Bibliotecário, esse profissional clama pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhe faz justiça plena aqui no Brasil"
Vera Lucia Stefanov, bibliotecária documentalista, é presidente do Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo (SinBiesp). Levi Bucalem Ferrari, cientista político, é presidente da União Brasileira de Escritores (UBE). Artigo publicado na "Folha de SP": TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL EM: http://www.crb6.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=903&Itemid=1     Marcus Tavares: E o bibliotecário? Jornalista, professor e especialista em mídia e educação
Rio - Foi comemorado, na quinta-feira passada, o Dia do Bibli otecário, aquele profissional que, geralmente, quase toda criança ou jovem conhece. Aquele profissional da biblioteca da escola que está pronto para auxiliar qualquer pessoa na busca de informações, na produção de reflexões, na realização de pesquisas. TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL EM: http://www.crb6.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=912&Itemid=1     CE recebe sugestões para aperfeiçoamento de bibliotecas A presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Nêmora Rodrigues, apresentou nesta terça-feira (17) à Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) o Projeto Mobilizador Biblioteca Escolar: Construção de uma Rede de Informações para o Ensino Público. As sugestões, recebidas pelo presidente da comissão, senador Flávio Arns (PT-PR), visam fortalecer as bibliotecas, integrando-as a pro gramas político-pedagógicos. O anteprojeto do conselho também tem por objetivo tornar essas bibliotecas espaços de convivência que favoreçam a formação de leitores - o que Nêmora Rodrigues considera fundamental, por se tratar da "base da cidadania". TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL EM:  http://www.crb6.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=911&Itemid=1     Mais 74 instituições passam a ter acesso ao Portal de Periódicos da Capes A Capes ampliou nesta quarta-feira, dia 18, o acesso gratuito, por meio do Portal de Periódicos, às bases de dados "Scopus" e "Science Direct" para mais 74 instituições de ensino superior, públicas e privadas
Com a ampliação, a Capes pretende estender o acesso a essas bases a todas as instituições participantes do Portal de Periódicos. As duas plataformas trazem in formações de grande relevância para a comunidade científica internacional. TEXTO COMPLETO DISPONÍVEL EM: http://www.crb6.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=916&Itemid=1

segunda-feira, 16 de março de 2009

LIVRO CLIP - DIA DO BIBLIOTECÁRIO




FONTE:http://www.livroclip.com.br/?acao=hotsite&cod=175

O BIBLIOTECÁRIO E A ERA DO CONHECIMENTO


Artigo que saiu ontem na Folha de S. Paulo, no Caderno Brasil, pag. A3.
É uma reflexão muito interessante e muito realista também.


O bibliotecário e a era do conhecimento


As civilizações têm como marco inicial a palavra escrita, testemunho mais
eloquente de qualquer cultura. Na Antiguidade, bibliotecas foram símbolo
do prestígio das cidades que as abrigavam. Zelar por elas era tarefa das
mais importantes, atribuída a um segmento nobiliárquico competente.

Ainda não se distinguiam os papéis do escriba e os do bibliotecário, como
os entendemos hoje, mas o fato é que esses profissionais gozavam de
prestígio e respondiam diretamente ao soberano.

A partir da invenção da prensa móvel por Gutenberg, aumenta o número de
exemplares por livro e surgem os jornais, os fascículos, as revistas.
Logo, as bibliotecas demandaram profissionais especializados, na moderna< br />figura do bibliotecário -que desenvolveram sistemas mais eficazes de
catalogação, disposição, conservação etc.

No Brasil, esse marco foi estabelecido pelo engenheiro, bibliotecário,
escritor e poeta Manuel Bastos Tigre. A importância de sua contribuição é
reconhecida também pela legislação, que apontou a data de seu nascimento
-12 de março- como o Dia do Bibliotecário no Brasil.

Em 1906, Bastos Tigre viajou para os Estados Unidos, onde conheceu Melvil
Dewey, que já havia instituído o sistema de classificação decimal. A
partir de 1945, trabalhou na Biblioteca Nacional e, depois, assumiu a
direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil.

Fiéis ao espírito pioneiro de seu patrono e aos inúmeros serviços que
prestou ao país e ao livro, bibliotecários brasileiros clamam pelo
reconhecimento social que, todavia, ainda não lhes faz justiça plena. De
fato, pr edomina, entre nós, muito amadorismo na questão. Enquanto o
bibliotecário é visto como luxo dispensável, não raro outros profissionais
são chamados para quebrar o galho, comprometendo a conservação de acervos
importantes, sua disposição racional e sua acessibilidade.

Nas escolas a situação é de calamidade pública. Muitas nem sequer possuem
bibliotecas. Não raro, é algum professor que se encarrega de organizar o
acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas
inadequadas. O impacto é extremamente negativo na formação dos alunos. Na
idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu hábito se
cristalize, o estudante vê livros tratados como entulho. Nada o convencerá
mais tarde do contrário: o livro permanecerá entulho, e sua leitura, um
ato despido de sentido.

Quanto ao ensino superior, as informações não são melhores. Boa parte dos
grandes complexos educacionais privados costuma adquirir muitos livros.
Mas, quantos? Uma centena de exemplares pode impressionar o leigo, mas
está longe da suficiência se o número de alunos por curso passa da casa do
milhar. Se isso é válido para uma política hipócrita em relação ao livro,
imaginemos as proporções bibliotecário/usuário nessas instituições. Seu
número é quase sempre insuficiente, como são precárias suas condições de
trabalho.

No momento em que governo e sociedade no Brasil se dão conta de nossos
vergonhosos níveis de leitura e se mobilizam para superá-los por meio de
programas de incentivo, não é mais possível aceitarmos esses descalabros.
É o momento de convocar o bibliotecário para -ao lado do educador, do
escritor, do editor e de outros- traçar os rumos de uma política eficaz e
duradoura para os livros e para as bibliotecas.

Entre os novos desafios, o maio r vem da tecnologia da informação, que
cresce exponencialmente. Ajudar o pesquisador, o profissional e o cidadão
a pinçar, entre uma infinidade de informações, aquelas que realmente lhe
interessam e que são confiáveis é apenas a ponta do iceberg. De fato, a
possibilidade de acesso mais democrático à informação, à literatura e à
cultura em geral não permitirá que o bibliotecário se aliene em relação a
desafios que trazem em seu bojo a histórica oportunidade de aliança entre
cultura e consciência crítica, entre informação e emancipação.

Inicialmente, ele terá de interagir em equipes multidisciplinares, em
processos de mútuo aprendizado. Aos poucos, sua formação específica haverá
de impor-se como peça-chave de funções socialmente tão relevantes. O
bibliotecário se mostrará, assim, indispensável. Quando isso ocorrer, a
forma como esse profissional for tratado por empregador es de quaisquer
tipos, pela sociedade e pelo legislador representará indicador do grau de
civilização que poderemos projetar para nós mesmos.

Autores: VERA LUCIA STEFANOV, 56, bibliotecária documentalista, é
presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São
Paulo).

LEVI BUCALEM FERRARI, 63, cientista político, é presidente da UBE (União
Brasileira de Escritores). Publicado em Debates do jornal Folha de
S.Paulo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

BIBLIOTECÁRIO, PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

Bibliotecário, profissional da informação

O Bibliotecário, cujo dia se comemora em 12 de março, é um profissional liberal que trata a informação e a torna acessível ao usuário final. Em uma sociedade em que a informação possui imenso valor, o bibliotecário assume papel fundamental, seja nas tradicionais bibliotecas ou em diversos outros ambientes físicos ou virtuais, como centros de documentação e a Internet. Sua presença é indispensável para oferecer as informações adequadas, de forma rápida e precisa.

O mercado de trabalho é, pois, cada vez mais vasto, incluindo desde as tradicionais tarefas de tratamento da informação à manutenção das bibliotecas digitais.

Por suas atribuições, o Bibliotecário é, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), um Profissional da Informação, como também o são arquivistas e museólogos. O exercício desta ocupação requer bacharelado em Biblioteconomia.

A Biblioteconomia é uma das poucas profissões regulamentadas no país. Como lembra a ex-presidente do CRB-6, professora Sônia Miranda de Oliveira, "existem mais de 2.500 profissões, 80 das quais reconhecidas. Destas, apenas 28 têm conselhos que garantem seu exercício legal no Brasil. Essas 28 profissões somam, atualmente, mais de 7 milhões de trabalhadores no país."

A valorização do profissional Bibliotecário passa, não apenas pela divulgação de suas atribuições, de modo a torná-lo mais conhecido da sociedade, mas também pelo fortalecimento da profissão e difusão de sua importância. Além de destacar a função específica do Bibliotecário no trato da informação, em qualquer suporte em que esteja, é fundamental lutar pelo exercício consciente da profissão e fortalecer as entidades representativas da Biblioteconomia.

Fonte: CRB6 - Boletim Informartivo

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O ACESSO AO CONHECIMENTO EM QUESTÃO

O acesso ao conhecimento em questão
Colunista discute o papel das bibliotecas e do Google na digitalização e disponibilização de livros


Atire a primeira pedra quem nunca brincou de surfar ao léu no Google. Ainda mais você, que está lendo uma coluna publicada numa revista on-line. Para gente como nós, só podia ser motivo de comemoração o anúncio em 2004 de que o Google se associaria a cinco importantes bibliotecas em um gigantesco projeto de digitalização de livros (as instituições envolvidas eram a New York Public Library e as bibliotecas das universidades de Michigan, Stanford e Harvard (EUA) e Oxford (Reino Unido).

Não se tratava da primeira biblioteca digital, evidentemente, nem da primeira ferramenta on-line de busca de livros. Desde sua criação, a web vem motivando bibliotecários e cientistas da informação do mundo inteiro a repensar a forma como as bibliotecas preservam e disponibilizam informação, revistas especializadas, livros.

A ilustração representa a biblioteca de Alexandria, no Egito, a maior do mundo antigo. Essa instituição tinha a missão de reunir todo o conhecimento do mundo – algo parecido com o que o Google almeja fazer com seu projeto de digitalização de livros (imagem: Wikipedia Commons).

O que o Google propunha, no entanto, não era nada disso. Ou melhor, era muito mais que isso. Em suas próprias palavras, a empresa almejava "organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil". Nada mais, nada menos. A ideia era simplesmente digitalizar todos os livros do mundo. Hoje, com a parceria de outras bibliotecas de universidades europeias e norte-americanas e com cerca de 7 milhões de livros digitalizados, dos quais um milhão em domínio público, o Google se orgulha de permitir que pessoas encontrem livros esgotados, que jamais (jamais?) seriam lidos sem sua ajuda.

Seria a realização do sonho da biblioteca de Alexandria, com a criação de uma biblioteca universal, digital, de livre acesso a qualquer um que tivesse um computador conectado à web? Veríamos, finalmente, a tecnologia a serviço da difusão do conhecimento? Acalmai-vos, otimistas de plantão. Ao que parece, ainda estamos longe de chegar lá.

Pelo menos é o que argumenta o historiador Robert Darnton, professor da Universidade Harvard, no artigo 'Google and the Future of Books', publicado este mês na New York Review of Books.

Acesso irrestrito
Especialista no estudo do século 18, principalmente das ideias iluministas, Darnton recorda o lema "Free to All" [Livre para todos], cravado na entrada da Boston Public Library. Quem discordaria dessas palavras? Difundir o conhecimento, permitir o acesso público aos livros e preservá-los como patrimônio cultural da humanidade é, afinal, o objetivo de toda biblioteca pública. A questão é: caberia ao Google, uma empresa privada, a levar adiante esta empreitada?

Em certo sentido, de acordo com as idéias de Darnton, sim. Afinal, a empresa se propõe a disponibilizar de graça para download todas as obras de domínio público – cerca de um milhão dentre os sete milhões digitalizados – que possuir.

Em outros termos, no entanto, não. O Google foi processado por autores e editoras por conta da disponibilização on-line de obras esgotadas, mas ainda protegidas por direitos autorais – que correspondem a cinco dos sete milhões de livros digitalizados até agora. Em decorrência disso, a empresa decidiu vender a bibliotecas e universidades assinaturas para acesso ao conteúdo que vem sendo digitalizado, assim como já fazem há anos as empresas que vendem assinaturas de revistas eletrônicas. Ressalva: respeitado o acordo, o Google disponibilizará um computador por biblioteca pública para acesso gratuito (sem impressão) de obras esgotadas.

É aí que começam os problemas. É sabido que as bibliotecas gastam, hoje, muito mais com bases eletrônicas do que com livros. Como fariam, por exemplo, as brasileiras para manter a assinatura do pacote Google, pressupondo-se que ele terá preço semelhante ao das demais bases de dados?

A questão é complicada para as bibliotecas brasileiras, como notou Tania de Luca, professora do Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Assis. Uma coisa é a biblioteca digitalizar o seu acervo e colocá-lo on-line; outra coisa é uma empresa digitalizar e vender o acesso. Daí a importância dos repositórios institucionais, do movimento do livre acesso e da obrigação de que tudo o que for produzido com dinheiro público seja disponibilizado livremente.

Valorizar a biblioteca

Tela inicial da versão experimental da Biblioteca Digital Europeana, que oferece acesso a mais de 2 milhões de documentos digitalizados. Ao informar a origem de cada documento acessado (diferentemente da busca do Google), essa iniciativa contribui para valorizar as bibliotecas que se uniram nesse projeto.

Tania de Luca coloca a própria biblioteca no centro do processo de digitalização e disponibilização de seu conteúdo – o que o Google não faz, um vez que o resultado das buscas aparece sem referências à instituição que guarda o livro.

Com isso, ela ressalta o mesmo ponto defendido por Pedro Puntoni, diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (que vem sendo digitalizada) e professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), em artigo publicado em novembro de 2008 na Revista da USP.

Para ele, é preciso valorizar também a própria biblioteca, não apenas pelo que já foi gasto na constituição de seu acervo, mas também por aquilo que ela – e o livro – representam como meios fundamentais do acesso à cultura.

Nesse sentido, para Puntoni, uma alternativa de peso à proposta do Google seria o projeto Gallica, desenvolvido pioneiramente pela Biblioteca Nacional da França, que deu origem à Biblioteca Digital Europeana, acessível ainda em fase experimental desde o fim de 2008. Essa iniciativa pública respeita a origem da informação e do acervo ao qual ela pertence e contribui sobremaneira para manter as bibliotecas como instâncias fundamentais de preservação da história e do patrimônio cultural da humanidade, respeitando a diversidade das diferentes instituições.

Mas seria leviano demonizarmos o Google apenas por se tratar de uma empresa privada que, como todas, visa ao lucro. Mais do que isso, trata-se também de uma disputa em torno de direitos autorais, que vem dando golpes mortais na indústria do entretenimento, na qual o livro vem sendo, até agora, talvez a menos afetada das mídias.

Isto é, até a chegada da ferramenta de busca em livros dessa empresa, o Google Book Search. Esta talvez seja uma ameaça mais poderosa ao livro do que as maquininhas de leitura digital como o Kindle, da Amazon, ainda não incorporadas pelo mesmo grande público que consome iPods e outros tocadores de música digital. Com o Google, autores e editoras não veem por que a empresa deva ganhar dividendos por obras que não deixam de pertencem a eles pelo fato de estarem esgotadas. Daí o processo, daí o acordo, daí a decisão de cobrar pelo acesso a essas obras, cujo retorno reverteria para editoras, autores e para o próprio Google.

Alcance dos direitos autorais

O Kindle, aparelho para leitura de livros digitais produzido pela Amazon, foi apontado por alguns como uma ameaça aos livros impressos (foto: Ted Merriman).

O debate é quentíssimo e muito extenso para ser desenvolvido aqui. Basicamente, o que se discute é por quanto tempo o criador tem direito de receber por sua criação – e também o difusor (no caso, a editora). Discute-se ainda, no mundo de hoje, o próprio conceito de autoria – mas isso nos levaria mais longe ainda.

Por ora, voltando ao mundo da veiculação das ideias acadêmicas, é o caso de refletirmos sobre a pertinência da atribuição de direitos autorais em obras financiadas com dinheiro público, que é justamente o caso do Brasil. Novamente de acordo com Tania de Luca, vejamos o exemplo dos artigos acadêmicos: em geral, autores desses trabalhos nada recebem para publicá-los em revistas científicas; a revista, por sua vez, vende seu conteúdo para uma base de dados eletrônica, que a vende para as bibliotecas que, por sua vez, precisam comprá-las, uma vez que as próprias revistas em papel estão com os dias contados.

É um grande negócio: pesquisas financiadas com dinheiro público têm seus resultados vendidos por grandes grupos econômicos. Ganham todos, inclusive o autor, que acumula pontos na carreira, traduzidos em melhores empregos, bolsas e financiamentos, decorrentes do prestígio de publicar em uma boa revista científica.

Ganham todos? Claro que não. Perde o leitor, que só lerá o texto se tiver acesso à base de dados à qual ele pertence. Voltando a Robert Darnton: enquanto a questão do acesso à informação e ao conhecimento for pautada por batalhas jurídicas entre grupos que representam interesses privados, quem perde mesmo é o público. Em todos os sentidos que a palavra possa ter.

Em tempo: neste âmbito, ponto para o governo federal, que vem investindo muitos recursos na construção, em software livre, do Portal Domínio Público e na compra das bases de dados que compõem o Portal de Periódicos da Capes, acessível a 191 instituições de ensino superior em todo o país. 

Para quem quiser se aprofundar sobre a discussão, além do artigo de Robert Darnton, recomendo vivamente a leitura dos seguintes textos:

Pedro Puntoni, As Bibliotecas Digitais e a sociedade da informação: perspectivas para as bibliotecas digitais no Brasil. Revista da USP, novembro de 2008.

Jean-Noel Jeanneney, Google and the myth of universal knowledge. Chicago and London, The University of Chicago Press, 2007. 


Keila Grinberg
Departamento de História
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
13/02/2009
 


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